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Jornalista cria clones de IA de seus editores com o Gemini

Em teste publicado pela Wired, repórter usou a ferramenta Gemini para clonar a linguagem de editores na tentativa de simular o futuro do trabalho.

Por Redação Noticiário IA

· 3 min de leitura

Jornalista cria clones de IA de seus editores com o Gemini
Imagem: Wired — IA

Resumo rápido

  • Repórter da Wired criou assistentes no Gemini com base no histórico de dados e conversas dos próprios editores.
  • Os clones conseguiram reproduzir estilos de fala e dar ideias, mas também cometeram alucinações e geraram respostas clichês.
  • Apesar do ganho pontual em produtividade, os editores reais demonstraram forte rejeição à criação das suas réplicas.
Entenda o contexto

O Gemini é a plataforma de inteligência artificial desenvolvida pelo Google, que possui recursos como os Gems, permitindo a personalização de assistentes virtuais para tarefas específicas. A criação de réplicas digitais de funcionários no ambiente de trabalho reflete a busca por maior eficiência nas corporações, mas também levanta debates sobre privacidade e relações interpessoais.

Uma experiência conduzida por uma repórter do veículo norte-americano Wired testou o impacto prático do uso de assistentes de inteligência artificial no ambiente profissional. A jornalista utilizou o Gemini, ecossistema da tecnologia do Google adotado internamente pela editora Condé Nast, para criar réplicas virtuais de seus dois editores diretos, com o objetivo de simular a convivência e alinhar pautas no ambiente corporativo.

Para compor o primeiro assistente, chamado de Brian Bot, a repórter forneceu dados sobre a pegada digital do profissional na internet, como transcrições de podcasts e anúncios públicos de contratação. O sistema Gemini Notebook gerou um guia de estilo de escrita e um dossiê editorial. Contudo, as respostas iniciais demonstraram um tom artificial, repleto de termos como listas em tópicos e subtítulos em negrito, além de ter absorvido hábitos comportamentais do histórico do editor que não se refletiam na rotina do trabalho jornalístico.

Ajustes com histórico de mensagens e linguagem personalizada

Na busca por resultados mais fiéis ao comportamento real de seus colegas, a repórter ajustou a estratégia para a criação da segunda réplica, a Sophie Bot. Para alimentar a ferramenta de personalização conhecida como Gem, a jornalista inseriu aproximadamente um mês de conversas do aplicativo Slack mantidas com a editora, totalizando mais de 17.000 palavras, após remover informações sensíveis e confidenciais.

Com essa quantidade ampliada de dados de contexto, a versão virtual conseguiu simular com precisão hábitos de linguagem do cotidiano, incluindo saudações específicas, o uso de letras minúsculas em mensagens sequenciais e a publicação de postagens fictícias em redes sociais que enganaram outros funcionários da equipe. Em contrapartida, a ferramenta também cometeu erros marcantes, como a invenção da existência de um executivo que nunca trabalhou na empresa.

Impacto na produtividade e reação do ambiente de trabalho

Durante os testes, as réplicas construídas por IA sugeriram fontes para reportagens e revisaram abordagens de pauta, permitindo que a repórter tirasse dúvidas sem demandar tempo imediato dos supervisores humanos. Outros relatos colhidos durante a reportagem, como o de um funcionário de uma empresa de tecnologia sob o pseudônimo de "Chip", apontam que o uso constante da função Gem com documentos do chefe imediato ajudou a antecipar questionamentos e otimizar a preparação para reuniões.

Apesar dos ganhos de eficiência declarados, o experimento apontou um descompasso no aspecto social e interpessoal. Os editores que tiveram suas personas reproduzidas expressaram descontentamento com o uso de suas identidades para o treinamento dos assistentes, destacando que as falhas de contextualização tornavam a experiência desconfortável e que os benefícios de produtividade não justificavam a criação dos robôs de IA.

Referências

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