Uso de chatbots por trilheiros gera alertas de segurança em parques

Trilheiros relatam uso de chatbots como Gemini e Claude antes de incidentes em áreas selvagens, apontam dados divulgados pela Wired.

Por Redação Noticiário IA

· 3 min de leitura

Uso de chatbots por trilheiros gera alertas de segurança em parques
Imagem: Wired — IA

Resumo rápido

  • Trilheiros que recorreram aos chatbots Gemini e Claude enfrentaram problemas em montanhas na Califórnia e na Colúmbia Britânica (Wired).
  • No parque Grand Teton, a porcentagem de visitantes que relatam usar IA para obter informações de viagem subiu de zero para 26 por cento (Wired).
  • Apesar dos relatos, chamados de busca e resgate em Wyoming caíram de 466 em 2025 para 312 até o momento em 2026 (Wired).
Entenda o contexto

A reportagem aborda os riscos da automação e da confiança excessiva em sistemas de inteligência artificial durante a navegação em ambientes naturais. A alucinação em modelos de linguagem ocorre quando o sistema gera informações falsas ou incorretas como se fossem verdadeiras.

Como os chatbots de IA têm afetado o planejamento de trilheiros?

Trilheiros têm relatado o uso de assistentes virtuais para planejar viagens em áreas remotas, por vezes com consequências perigosas. No Monte Shasta, na Califórnia, três jovens de 20 anos precisaram acionar o resgate após chegarem ao cume às 19h30 e perderem a orientação na descida noturna. Segundo admitiram posteriormente, a falta de preparo — como pouca comida e superestimação da própria condição física — ocorreu em parte pelo uso do chatbot Gemini, da Google.

Em outro caso, no Canadá, uma equipe de helicóptero resgatou um adolescente de 16 anos em Crown Mountain, na Colúmbia Britânica. O jovem havia utilizado o chatbot Claude, da Anthropic, para auxiliar no planejamento da rota. Reportagens posteriores destacaram que ele também havia consultado o Google Maps e o aplicativo AllTrails.

Qual é o impacto observado pelas autoridades dos parques?

Nick Meyers, gerente de programa do US Forest Service no Mount Shasta Wilderness Climbing and Avalanche Center, afirmou que sua equipe também encontrou um visitante utilizando um mapa gerado por inteligência artificial que mostrava acidentes geográficos no lado errado de uma montanha. Segundo Meyers, o escritório realiza em média 12 resgates por ano, e o ritmo de chamados em 2026 aponta para um ano dentro dessa média.

No Grand Teton National Park, no estado de Wyoming, o superintendente Chip Jenkins relatou que a parcela de visitantes que afirmam usar IA para obter dados sobre a viagem subiu de zero para 26% no último ano. Apesar disso, os chamados gerais de busca e resgate em Wyoming registraram queda: foram 312 chamados em 2026 até o momento, contra 466 em 2025 e 377 em 2024, de acordo com dados divulgados na reportagem da Wired.

Quais são os riscos técnicos e cognitivos apontados por especialistas?

Chris Flathmann, professor de computação centrada no humano na Clemson University, explica que a interação com ferramentas de IA pode induzir ao fenômeno chamado de "rendição cognitiva" (cognitive surrender). Segundo o pesquisador, os usuários podem se aprofundar tanto no uso do sistema a ponto de renunciar ao pensamento crítico.

Flathmann ressalta que os chatbots tendem a responder com autoridade mesmo quando consultam fontes não confiáveis ou desatualizadas em fóruns e vídeos da internet, podendo também "alucinar" e inventar informações inteiramente falsas. Diante disso, especialistas recomendam que os dados obtidos via IA sejam sempre checados em fontes oficiais, como mapas de agências públicas, sites de associações de trilhas e guias especializados.

Referências

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