Segurança e regulação Opinião Repercussão

Uso de IA para decidir voto expõe erros em eleições

Artigo da Wired aponta falhas factuais e uso de fontes partidárias por chatbots durante as eleições de meio de mandato nos EUA.

Por Redação Noticiário IA

· 3 min de leitura

Ilustração conceitual estilizada mostrando mãos depositando uma cédula de votação digitalizada numa urna.
Imagem: Wired — IA

Resumo rápido

  • Segundo artigo opinativo da Wired, cerca de 8% dos adultos nos EUA disseram ter buscado dados eleitorais em chatbots de IA antes das eleições de meio de mandato.
  • Levantamento da Forum AI aponta que quase 40% das respostas de assistentes sobre o pleito continham ao menos um erro factual.
  • Estudo da NewsGuard indica que os principais chatbots recorreram a portais de cunho ideológico em quase metade das consultas sobre o tema.
Entenda o contexto

Modelos de linguagem utilizam métodos estatísticos para prever e gerar respostas com base em dados coletados na internet. Quando as fontes disponíveis são imprecisas ou partidárias, o sistema pode reproduzir dados incorretos ou inventar informações.

A utilização de assistentes virtuais baseados em inteligência artificial para orientar escolhas eleitorais traz riscos aos eleitores, segundo artigo publicado pela revista Wired nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026. A publicação argumenta que muitas das informações fornecidas por essas ferramentas estão desatualizadas, contêm alucinações de dados ou têm origem em portais com interesses partidários.

Qual é a taxa de uso e o índice de erros dos chatbots em eleições?

De acordo com dados de uma pesquisa recente da Pew Research citada na reportagem, cerca de 50% dos adultos norte-americanos entrevistados já utilizaram um chatbot de inteligência artificial em algum momento. Além disso, 8% dos entrevistados relataram ter recorrido a essas ferramentas antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos para encontrar informações sobre candidatos e diretrizes políticas.

No entanto, levantamentos indicam falhas no desempenho dessas ferramentas. Pesquisadores da Forum AI identificaram que quase 40% das respostas sobre as eleições fornecidas pelos principais chatbots do mercado continham ao menos um erro factual. Em avaliações realizadas em agosto de 2026, por exemplo, o assistente Claude, da Anthropic, confundiu o congressista Don Davis, da Carolina do Norte, com um ex-superintendente escolar de mesmo nome ao responder por que alguém deveria votar nele.

Erros semelhantes foram relatados em outros sistemas. Em verificações da Forum AI conduzidas na semana anterior ao texto, a ferramenta AI Mode, do Google, recusou-se a fornecer os resultados das eleições de 2020. No mesmo período, o chatbot Gemini afirmou que o prazo para solicitar o voto por correio na Pensilvânia terminava em 3 de novembro de 2026, embora a data limite real fosse 27 de outubro.

Por que as ferramentas recorrem a fontes partidárias e qual o posicionamento das empresas?

Além dos erros diretos nas respostas, uma pesquisa da NewsGuard aponta que a origem dos dados utilizados pelos assistentes é um dos problemas centrais. A organização apurou que os principais chatbots citam portais chamados de "pink slime" — sites que se apresentam como veículos jornalísticos tradicionais, mas são financiados por pessoas ou grupos políticos e ideológicos — em quase 50% das vezes em que respondem sobre candidatos e políticas relacionadas às eleições de meio de mandato.

O levantamento da NewsGuard destacou variações entre os sistemas avaliados:

  • ChatGPT (OpenAI): apresentou a maior frequência de citações a esses sites, recorrendo a eles em mais de 70% das buscas realizadas.
  • Grok (xAI): registrou a menor taxa entre os assistentes analisados, citando esses portais em 30% dos casos.

Segundo declaração de Nina Jankowicz, diretora-executiva do American Sunlight Project e ex-czar de desinformação durante o governo Biden, a maioria dos eleitores norte-americanos não está preparada para lidar com uma eleição na era da IA de consumo. Jankowicz avalia que executivos e empresas superestimaram a capacidade dessas tecnologias, que operam de forma preditiva e frequentemente inventam respostas quando não conhecem a informação.

Procurados pela reportagem da Wired, Google e Anthropic não responderam aos pedidos de comentário. A OpenAI direcionou o veículo a uma publicação em seu blog que descreve a abordagem da empresa para as eleições em 2026.

Referências

Links para conferência: não indicam endosso das fontes ao conteúdo do portal.

Comentários 0

Seja respeitoso. Comentários com links passam pela moderação.

Ninguém comentou ainda. Seja o primeiro!

Leia também