IA e usada em 25% das imagens ofensivas contra candidatas no X
Levantamento do MonitorA aponta que uma a cada quatro imagens agressivas contra candidatas no X utilizou inteligência artificial em 2026.
Resumo rápido
- Levantamento revela que 25% das imagens ofensivas contra candidatas no X utilizaram recursos de inteligência artificial.
- Das 9.888 imagens analisadas na rede social, 660 continham ataques ou insultos e 165 tinham indícios de uso de IA.
- A IA foi empregada na criação de charges e alterações corporais, sem focar no realismo ou na disseminação de desinformação.
Entenda o contexto
O MonitorA é um observatório de violência política de gênero nas redes sociais durante o período eleitoral no Brasil. O estudo analisa o uso de inteligência artificial em montagens e ilustrações para quantificar o impacto dessas tecnologias em ataques direcionados a candidatas.
Uma a cada quatro imagens ofensivas direcionadas a candidatas no X usou inteligência artificial, segundo levantamento divulgado pelo observatório MonitorA em 2 de outubro de 2026. A prática ocorre mesmo com a proibição estipulada pelo Tribunal Superior Eleitoral referente ao uso do recurso para perpetuar violência política de gênero.
O levantamento avaliou 9.888 imagens publicadas em comentários nos perfis de 132 candidatas na rede social X. Do total analisado, 660 apresentavam insultos ou ataques contra as políticas. Entre esses conteúdos agressivos, a equipe do projeto identificou 165 imagens que indicavam o uso de ferramentas de IA. A coleta de dados abrangeu dois períodos: de 16 a 24 de agosto e de 2 a 11 de setembro de 2026.
Metodologia e escopo da pesquisa
Esta é a primeira edição do MonitorA a incluir a avaliação de figuras, como montagens, desenhos, ilustrações e charges. O monitoramento também recolheu 1.249 imagens enviadas por comentários no TikTok. Contudo, na plataforma de vídeos, nenhum conteúdo ofensivo foi localizado na amostra e parte do material ficou indisponível logo após a coleta, inviabilizando a continuidade da análise no local.
A avaliação das imagens foi conduzida manualmente por sete pesquisadores, que classificaram os conteúdos entre insultos e ataques. Para orientar a identificação de padrões e similaridades nas figuras, a equipe utilizou os softwares Collection Space Navigator e Image Sorter. O estudo ampliou a amostragem de candidatas monitoradas de 60 para 132 em relação às etapas anteriores do projeto.
Padrões de ataques e uso de recursos visuais
Segundo o levantamento, a inteligência artificial não foi empregada para criar imagens realistas ou espalhar desinformação direta, mas sim para facilitar a produção de ilustrações e montagens agressivas. A coordenadora do InternetLab, Catharina Vilela, destacou que a popularização da IA no Brasil após 2022 facilitou a materialização desses ataques, funcionando como mais um mecanismo de ofensa.
As candidatas que concentraram o maior volume de imagens ofensivas disputam vagas por São Paulo. Entre os casos registrados, foram identificadas manipulações de características físicas para deshumanizar candidatas, alterações corporais de cunho gordofóbico, além de ilustrações de conteúdo transfóbico e racista. De acordo com os pesquisadores, os agressores também utilizam novas linguagens visuais para tentar burlar os sistemas de moderação das plataformas.
Embora a IA ainda seja pouco usada por jovens para buscar dados sobre eleições, o uso das ferramentas para a geração de conteúdos manipulados continua em observação pelos órgãos de monitoramento. O MonitorA é uma parceria entre o InternetLab, o Núcleo e o Instituto Democracia em Xeque, com dados coletados pelo projeto Rotulando a IA.
Referências
- Fonte consultada: Núcleo Jornalismo
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