Microsoft adota biomimética para reduzir impactos de data centers
A Microsoft anunciou o uso de biomimética para integrar data centers de IA ao meio ambiente e atenuar críticas locais nos Estados Unidos e Alemanha.
Resumo rápido
- A Microsoft planeja usar soluções inspiradas na natureza para integrar data centers de IA ao meio ambiente.
- A estratégia envolve o plantio de vegetação nativa e projetos de restauração em mais de 20 locais nos EUA e Alemanha.
- Moradores e ativistas apontam que as iniciativas não cobrem todo o impacto do consumo de energia e água das instalações.
Entenda o contexto
Data centers de alta escala demandam grandes quantidades de energia, água e espaço físico para processar sistemas de inteligência artificial. A biomimética é uma abordagem de design que busca soluções técnicas e arquitetônicas inspiradas em processos e formas da natureza.
A Microsoft anunciou que planeja aplicar conceitos de biomimética para reduzir os impactos visuais e ambientais causados pela expansão de seus data centers voltados à inteligência artificial. A estratégia busca integrar as grandes instalações às paisagens locais por meio do plantio de jardins, árvores nativas e da restauração de ecossistemas prejudicados nas regiões onde as unidades operam.
A empresa iniciou projetos desse tipo em uma unidade na Holanda em 2022. Segundo a Microsoft, as soluções inspiradas na natureza serão levadas para mais de 20 locais nos Estados Unidos e na Alemanha, além de serem aplicadas em novos empreendimentos no território norte-americano e em outros países ao redor do mundo.
Barulho, desmatamento e reação de moradores
A expansão física das infraestruturas de IA tem gerado resistência em diversas comunidades locais. Nos Estados Unidos, o avanço das instalações de grande porte resultou no aumento do tráfego, remoção de vegetação e incômodos contínuos provocados pela iluminação e pelo ruído dos servidores e geradores. O cenário reflete preocupações crescentes em várias regiões com poluição, contas de luz e consumo de água, como apontam relatórios sobre como um estudo detalha alta resistência local a data centers.
Em San Antonio, no Texas, onde a Microsoft opera instalações há quase uma década e investe centenas de milhões de dólares para construir novas unidades, a remoção de mais de 2.600 árvores em uma área de 33 acres em 2022 gerou fortes críticas de moradores e autoridades locais. A porta-voz da empresa, Jennifer Lyons, afirmou por e-mail que a companhia está investindo em projetos de recuperação de mais de 400 acres de florestas e pradarias de polinizadores na cidade, com o objetivo de deixar a terra mais produtiva do que quando a recebeu.
Medidas locais e o impacto ambiental amplo
Entre as ações adotadas pela Microsoft está o financiamento de um projeto de US$ 4,2 milhões em 2023, em Mount Pleasant, no Wisconsin, para restaurar o fluxo de um riacho em uma propriedade onde a empresa está reaproveitando as antigas instalações de uma fábrica de LCD da Foxconn. A empresa também estuda a criação de barreiras de vegetação ao redor dos prédios para abafar os ruídos de servidores e geradores, além da instalação de jardins para apoiar a migração anual de borboletas-monarca no Texas.
Apesar do diálogo da Microsoft com as comunidades — que inclui um plano de infraestrutura lançado em janeiro e a nomeação de representantes locais —, ativistas ambientais e residentes observam que as iniciativas baseadas na natureza não eliminam os problemas mais amplos. A rápida expansão da empresa, que opera mais de 300 data centers em mais de 34 países, continua aumentando suas emissões de gases de efeito estufa junto com a demanda de energia exigida pelos sistemas de IA.
Referências
- Reportagem consultada: The Verge — IA
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