Instruções do agente Muse da Meta revelam criação de perfis de contatos
Instruções do agente Muse da Meta revelam a compilação de perfis detalhados sobre amigos e familiares dos usuários.
Resumo rápido
- Instruções do agente Muse da Meta mostram a criação de relatórios sobre conexões pessoais dos usuários.
- O processo inclui seções de histórico, datas importantes e sugestões para fortalecer relacionamentos.
- A Meta afirma que o sistema utiliza apenas dados públicos e informações compartilhadas pelos usuários.
Entenda o contexto
O Muse é um agente de inteligência artificial da Meta projetado para executar tarefas e auxiliar o usuário a atingir objetivos com base em contexto pessoal. O uso de mecanismos de memória estruturada em assistentes virtuais gera discussões sobre a quantidade de dados mantida pelas empresas de tecnologia e a privacidade de terceiros citados nas interações.
Pesquisadores de segurança extraíram e divulgaram arquivos internos e instruções de funcionamento do agente de inteligência artificial Muse, desenvolvido pela Meta. Os documentos revelados, compartilhados com a revista Wired pelo pesquisador independente Karan Joshi, mostram que o sistema é programado para construir perfis detalhados sobre as pessoas que fazem parte da vida de cada usuário.
Estrutura de dados pessoais e rotina de compilação
Segundo as instruções reveladas, o Muse executa um processo com frequência de atualização horária que inclui criar uma página individual para familiares, parceiros, amigos, colegas, colaboradores e pessoas que o usuário segue. A ideia por trás dessa funcionalidade é utilizar arquivos de texto estruturados na memória do sistema para mapear conexões e sugerir ações práticas, como conselhos de relacionamento ou recomendações de locais para frequentar.
A documentação aponta que as páginas organizadas pelo assistente podem reunir seções chamadas Fatos, Histórico, O relacionamento, Em comum, Tópicos em aberto e Fortalecimento. O sistema pode armazenar informações como local de residência, ocupação, metas financeiras compartilhadas, datas comemorativas e históricos de conversas ou divergências passadas. A seção de fortalecimento propõe motivos para ligar ou formas de apoiar a pessoa mapeada.
Privacidade, controle e a posição da Meta
As diretrizes internas orientam o Muse a trabalhar estritamente com base em evidências disponíveis, indicando que a ausência de dados é preferível à invenção de fatos. A estrutura do software é configurada para que cada usuário possua uma máquina virtual dedicada, responsável por armazenar dados e contextos longe do acesso de outros agentes. Os usuários têm a opção de apagar memórias e desconectar serviços integrados a qualquer momento.
Em declaração prestada à Wired, o porta-voz da Meta, Daniel Roberts, afirmou que o Muse coleta dados com base em informações públicas e no que o próprio usuário decide compartilhar. Segundo a empresa, esse contexto é necessário para que o assistente consiga diferenciar contatos, lembrando, por exemplo, qual profissional prestou um serviço ou as preferências descritas pelo usuário. A Meta também sustentou que pretendia deixar esses arquivos acessíveis em prol da transparência.
Especialistas ouvidos pela reportagem, contudo, ponderam o impacto da escala dessas ferramentas. Integrantes do Center for Democracy and Technology e do Institute for Ethics in AI da Universidade de Oxford alertam que o apelo utilitário dos agentes incentiva o público a fornecer volumes cada vez maiores de informações privadas, permitindo que as empresas façam inferências e cruzem dados de múltiplas fontes.
Referências
- Reportagem consultada: Wired — IA
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