Google e Meta investem em projeto de US$ 1,8 bi para célula virtual
Biohub coordena iniciativa de US$ 1,8 bilhão com aporte de Google DeepMind, Meta e Isomorphic Labs para prever comportamento celular com IA.
Resumo rápido
- Google DeepMind, Meta e Isomorphic Labs aportam US$ 300 milhões na organização sem fins lucrativos Biohub.
- A iniciativa totaliza US$ 1,8 bilhão e busca construir dados para simular e prever o comportamento de células.
- Empresas privadas terão um ano de acesso exclusivo aos dados financiados por elas antes da liberação pública.
Entenda o contexto
O Biohub é uma organização sem fins lucrativos focada em pesquisas biomédicas para acelerar a descoberta de tratamentos. O projeto de uma célula virtual utiliza inteligência artificial para simular processos biológicos digitalmente, permitindo testar hipóteses e comportamentos celulares sem a necessidade imediata de experimentos físicos em laboratório.
A organização de pesquisa biomédica sem fins lucrativos Biohub, fundada por Mark Zuckerberg e sua esposa Priscilla Chan, está coordenando uma iniciativa de US$ 1,8 bilhão para criar modelos de inteligência artificial focados em prever e simular o comportamento celular. Como parte desse esforço, a Google DeepMind, a Meta e a startup de descoberta de medicamentos Isomorphic Labs estão investindo conjuntamente US$ 300 milhões na instituição.
A iniciativa engloba a geração de dados, aquisição de equipamentos de laboratório e fornecimento de capacidade computacional. O objetivo central é permitir que pesquisadores realizem simulações de perguntas biomédicas de forma digital, auxiliando no desenvolvimento de métodos para prevenir e gerenciar doenças por meio do conceito de uma "célula virtual".
Aporte governamental e regras de acesso aos dados
Além do setor privado, o projeto conta com investimentos públicos dos Estados Unidos. O Departamento de Energia do país aplicará mais de US$ 500 milhões ao longo dos próximos cinco anos em computação e medições laboratoriais. Já o National Institutes of Health coordenará repositórios, bases de conhecimento e conjuntos de dados derivados de mais de US$ 500 milhões em financiamentos federais anteriores, com a padronização para treinamento de IA realizada pelo Biohub. A própria organização já havia prometido US$ 500 milhões em abril para o projeto, chamado de "Virtual Biology Initiative".
Segundo Alex Rives, líder de ciência do Biohub, o primeiro conjunto de dados fruto da iniciativa deve ficar pronto em cerca de um ano. As regras de distribuição estipulam que os financiadores comerciais terão um ano de acesso exclusivo aos dados produzidos com o seu capital antes que as informações sejam tornadas públicas. Em contrapartida, as pesquisas custeadas com recursos do governo norte-americano estarão disponíveis abertamente sem restrições temporais.
Movimento do setor na biologia computacional
O desenvolvimento de modelos de inteligência artificial voltados para a biologia tem atraído a atenção de diferentes empresas do setor tecnológico. O avanço desses projetos busca acelerar processos de descoberta na área da saúde por meio do treinamento com dados biológicos massivos.
Outras organizações também mantêm frentes próprias nesse segmento. A Anthropic, por exemplo, construiu seu próprio laboratório de biologia voltado para o desenvolvimento de medicamentos auxiliado por IA. Paralelamente, a OpenAI Foundation destina mais de US$ 125 milhões para a criação e organização de conjuntos de dados médicos e biológicos.
Referências
- Reportagem consultada: The Verge — IA
- Reportagem consultada: The Decoder
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