Fazenda de IA no Instagram usou 255 perfis para inflar pautas políticas

Levantamento revela rede com inteligência artificial que alcançou 58 milhões de visualizações no Instagram com posts sobre política e ataques ao STF.

Por Redação Noticiário IA

· 3 min de leitura

Fazenda de IA no Instagram usou 255 perfis para inflar pautas políticas
Imagem: Núcleo Jornalismo

Resumo rápido

  • Levantamento identificou 255 perfis no Instagram usando IA para gerar publicações políticas e ataques a instituições.
  • Com uso de posts colaborativos, a rede alcançou 58 milhões de visualizações e 5 milhões de interações em um mês.
  • Contas da estrutura também comercializavam um curso pago sobre produção de vídeos sintéticos com inteligência artificial.
Entenda o contexto

Fazendas de conteúdo são estruturas que geram publicações automatizadas em grande escala para atrair visualizações e engajamento. O uso de ferramentas de inteligência artificial nessas redes acelera a criação de imagens e vídeos sintéticos, ampliando o alcance de campanhas de desinformação e ativismo artificial em plataformas digitais.

Um levantamento feito pelo Instituto Democracia em Xeque e obtido pelo Aos Fatos revelou a existência de uma rede formada por 255 perfis no Instagram que utilizavam inteligência artificial para produzir e disseminar publicações alinhadas a pautas de extrema direita. De acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira, 23 de setembro de 2026, a estrutura publicou ou coassinou 1.204 posts com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), desinformação eleitoral e violência política de gênero.

Entre 15 de agosto e 15 de setembro, os conteúdos gerados pela chamada fazenda de conteúdo sintético acumularam 58 milhões de visualizações, além de 5 milhões de curtidas e comentários. As publicações utilizavam a estratégia de posts colaborativos da plataforma, técnica em que duas ou mais contas assinam a mesma postagem para compartilhar audiências. Quase metade dos posts analisados (586) utilizou esse recurso, concentrando 63% de todo o engajamento registrado pelo levantamento.

Estrutura em redes e perfis articulados

As chamadas fazendas de conteúdo são estruturas focadas na produção automatizada e em grande escala de publicações, com o objetivo primário de captar engajamento e alcance, em detrimento da precisão da informação. O estudo dividiu a rede mapeada em seis núcleos principais de compartilhamento. O maior deles continha 60 perfis reunidos ao redor da página @narrativascuriosastv, focada em memes e vídeos curtos, que concentrou 617 publicações e 54% do engajamento total antes de interromper as postagens no início de setembro.

O mapeamento apontou ainda que as contas analisadas atuavam em conjunto com perfis identificados anteriormente pelo Aos Fatos. Na ocasião, constatou-se a simulação de apoio popular ao ministro André Mendonça por meio de engajamento artificial (prática conhecida como astroturfing). Os dados confirmam que as páginas pró-Mendonça estavam integradas a um sistema mais amplo de criação de material com inteligência artificial voltado à promoção de figuras do campo bolsonarista. Os perfis foram removidos pelo Instagram após as revelações jornalísticas.

Venda de cursos e monetização do conteúdo sintético

Além da disseminação de publicações políticas, o levantamento indicou que perfis da rede eram utilizados para divulgar um curso de treinamento em inteligência artificial. Entre as contas participantes estava a @leoindiobolsonaro, administrada por Leonardo Rodrigues de Jesus (Léo Índio), que participou de 111 postagens e acumulou cerca de 6 milhões de visualizações. Conteúdos com ataques à deputada Érika Hilton (PSOL-SP) foram empregados para promover o treinamento de material sintético.

O curso era comercializado por R$ 167 e continha mais de 90 módulos, incluindo aulas intituladas "Criando Vídeos Virais com o Bolsonaro e o Lula" e instruções para remover marcas d'água de arquivos artificiais. A Kiwify, plataforma que hospedava o produto, afirmou que removeu os módulos considerados problemáticos por violação de suas diretrizes. A atuação dessas redes reforça os desafios apontados sobre como a IA ainda é pouco usada por jovens para buscar dados sobre eleições de forma direta, enquanto plataformas de redes sociais lidam com a disseminação massiva desse tipo de mídia.

Referências

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