Ex-pesquisador da DeepMind aponta falhas de raciocinio em LLMs
Em artigo na MIT Technology Review, ex-integrante da Google DeepMind afirma que grandes modelos de linguagem carecem de raciocinio genuino.
Resumo rápido
- Ex-membro da Google DeepMind argumenta que modelos de linguagem atuais não possuem raciocínio genuíno.
- A técnica de cadeia de pensamento apenas repete a previsão do próximo token por mais tempo antes da resposta.
- Autor deixou a empresa para propor arquitetura de IA inspirada no AlphaGo com estados epistemológicos.
Entenda o contexto
Grandes modelos de linguagem são sistemas treinados para prever sequências de texto, enquanto a técnica de cadeia de pensamento faz com que eles gerem etapas intermediárias antes da resposta final. A discussão sobre se esses modelos realmente raciocinam ou apenas completam padrões é central para definir o uso da inteligência artificial em diagnósticos médicos e pesquisas científicas.
Em um artigo assinado publicado em 2 de outubro de 2026 na MIT Technology Review, um ex-integrante da equipe da Google DeepMind afirmou que os atuais grandes modelos de linguagem não possuem capacidade de raciocínio genuíno. O autor, que ajudou a construir o AlphaGo, defende que a inteligência artificial necessita de uma nova abordagem de arquitetura para gerar resultados confiáveis em áreas como ciência, engenharia e medicina.
A separação entre intuição e deliberação
O texto resgata a vitória do AlphaGo sobre o jogador profissional Lee Sedol em 2016 para explicar como o sistema combinava redes neurais com uma ferramenta de busca em árvore de jogos. Enquanto a rede neural indicava jogadas promissoras, o mecanismo de busca avaliava milhares de ramificações e consequências futuras. O artigo compara essa estrutura a uma teoria das ciências comportamentais que divide o pensamento humano em dois modos: um rápido e intuitivo, e outro lento, deliberativo e focado em etapas.
Em contrapartida, a publicação aponta que os modelos de linguagem atuais operam selecionando repetidamente o próximo token. Essa dinâmica equivale apenas ao modo intuitivo e rápido de padrão de resposta. Embora a técnica de cadeia de pensamento (chain of thought) faça sistemas como o ChatGPT gerarem etapas intermediárias para decompor problemas antes de responderem — trazendo ganhos em matemática e programação —, o autor explica que o processo continua sendo conduzido pela mesma previsão iterativa de tokens, sem um mecanismo de raciocínio independente.
Deficiências identificadas nos modelos atuais
A análise elenca três deficiências principais nos chatbots para que seus processos sejam considerados raciocínio. A primeira é a ausência de um estado epistemológico explícito, persistente e inspecionável, capaz de manter hipóteses, dúvidas e evidências revisadas conforme novas informações chegam. A segunda é a falta de separação entre o conhecimento acumulado e a forma como o sistema manipula esse conhecimento, já que ambos estão entrelaçados nos pesos da rede neural.
Por fim, a publicação cita pesquisas demonstrando que os chatbots costumam elaborar suas cadeias de pensamento após atingirem o resultado, relatando um caminho diferente do utilizado para chegar à resposta. Em aplicações de alto risco, entender o caminho de raciocínio é fundamental para identificar se eventuais falhas ocorreram por erros de lógica, premissas incorretas ou evidências inválidas.
O debate sobre a eficácia dessas arquiteturas já foi abordado em outras ocasiões pelo veículo, como quando um artigo na MIT Tech Review critica exagero sobre avanços em IA ao discutir os limites dos modelos atuais.
Proposta de uma nova arquitetura
Diante das limitações apontadas, o autor revelou ter deixado seu cargo na Google DeepMind para trabalhar em uma nova abordagem de raciocínio computacional inspirada na estrutura do AlphaGo. Em vez de depender apenas da previsão de texto, a proposta prevê que os sistemas mantenham um registro de hipóteses confirmadas, dúvidas e perguntas abertas, tratando o raciocínio como uma sequência de ações voltadas a reduzir incertezas e avançar o conhecimento.
Referências
- Reportagem consultada: MIT Technology Review — IA
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