Empresas adotam agentes de IA como funcionários em organogramas
Pesquisa do BCG aponta que 22% dos gestores incluíram agentes de IA nos organogramas das empresas, gerando discussões sobre supervisão e humanização.
Resumo rápido
- Pesquisa aponta que 22% dos gestores já incluem agentes de IA nos organogramas das empresas.
- Tratar sistemas autônomos como funcionários fez gestores identificarem 18% a menos de erros em testes.
- Executivos e empresas debatem os impactos comportamentais da humanização dessas ferramentas no trabalho.
Entenda o contexto
Agentes de inteligência artificial são sistemas baseados em grandes modelos de linguagem projetados para executar tarefas de forma autônoma. O avanço dessas tecnologias tem levado empresas a incorporá-los não apenas como softwares de apoio, mas como integrantes formais das equipes de trabalho.
A adoção de agentes de inteligência artificial autônomos no ambiente corporativo vem alterando a forma como as empresas estruturam suas equipes. Em uma pesquisa realizada em janeiro por Julie Bedard, sócia do Boston Consulting Group (BCG), e seus colegas, 22% dos 1.261 gestores entrevistados informaram que suas organizações já adicionaram agentes de IA aos organogramas corporativos.
Diferente de plataformas como o Copilot da Microsoft e o Gemini for Workspace do Google, que foram lançados em 2023 voltados para o suporte a funcionários, novas soluções são apresentadas como trabalhadores digitais. Em junho, a Microsoft lançou o Scout, um agente autônomo focado em rotinas como reagendar reuniões e rascunhar e-mails. Da mesma forma, a startup Anything entrou nesse segmento em agosto com a plataforma Skydive, cujos agentes atuam como colegas de trabalho dotados de nomes, funções específicas e computadores na nuvem.
Humanização e redução na checagem de erros
Para facilitar a integração no ambiente corporativo, criadores têm atribuído características humanas a esses sistemas. Os agentes da Skydive interagem por ferramentas como Slack, e-mail e iMessage, adaptando seu estilo de comunicação com o tempo. Na Pronto Housing, empresa que adota a plataforma, a CEO Christine Wendell observou que engenheiros passaram a relatar que estavam trabalhando em projetos em parceria com a agente Alice.
Apesar de facilitar o uso diário, a personalização dessas ferramentas traz reflexos diretos na supervisão do trabalho. Uma pesquisa conduzida por Bedard e a equipe do BCG identificou que, quando gestores foram informados de que uma tarefa tinha sido concluída por um "funcionário de IA", eles encontraram 18% a menos de erros do que quando informados de que a tarefa fora gerada por uma "ferramenta de IA".
Debates sobre dependência e governança
A atribuição de traços humanos a agentes digitais também suscita divergências entre executivos do setor tecnológico. A CEO da empresa de recursos humanos Lattice, Sarah Franklin, cujas equipes integraram funcionários digitais ao organograma há dois anos para focar em prestação de contas, criticou a estratégia de incentivo a laços emocionais. Segundo a executiva, a abordagem busca prender usuários aos serviços e pode trazer repercussões comportamentais e neurológicas prejudiciais aos trabalhadores humanos.
Além dos aspectos psicológicos e de engajamento, Bedard ressalta que os agentes de IA possuem fraquezas e habilidades distintas das pessoas, o que tem levado as empresas a começarem a definir quais limites e proteções operacionais devem ser aplicados a esses novos sistemas.
Referências
- Reportagem consultada: Wired — IA
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