Mercado Repercussão

Apple destaca avanço em IA sem atingir gastos das concorrentes

Segundo a AlphaSense, a Apple citou IA 45 vezes em teleconferência. A empresa aposta no processamento local e mantém gastos abaixo das rivais.

Por Redação Noticiário IA

· 4 min de leitura

John Ternus, executivo da Apple, falando no palco de um evento com fundo azul.
Imagem: The Verge — IA

Resumo rápido

  • A Apple registrou seu melhor ano fiscal com receitas de US$ 57,6 bilhões em iPhones e US$ 10,8 bilhões em Macs no trimestre encerrado em setembro.
  • A empresa investiu US$ 2,2 bilhões em despesas de capital no trimestre, valor significativamente menor do que os aportes de Amazon e Alphabet.
  • Segundo a AlphaSense, termos como IA e Apple Intelligence foram citados 45 vezes na conferência de resultados da companhia.
Entenda o contexto

A Apple é uma empresa norte-americana de tecnologia que desenvolve o sistema operacional iOS, o iPhone e os computadores Mac. Sua abordagem para inteligência artificial combina capacidade de processamento no hardware do usuário com o suporte de parceiros e servidores próprios para tarefas complexas.

Desempenho financeiro e foco em inteligência artificial

Na apresentação de resultados trimestrais para investidores, a Apple informou ter atingido o melhor ano fiscal de sua história em receita e lucro por ação. A receita obtida com o iPhone subiu 17,5% na comparação anual, alcançando o recorde para o trimestre encerrado em setembro de US$ 57,6 bilhões. Já a linha de computadores Mac registrou US$ 10,8 bilhões em receita, alta de 24% e o patamar mais elevado para a divisão nos últimos quatro anos.

Apesar dos números, as ações da companhia caíram nas negociações prévias ao mercado de terça-feira, após a empresa alertar que o aumento nos custos de memória reduzirá suas margens de lucro no trimestre de festas de fim de ano. A fabricante não discriminou quanto da receita vem do interesse por recursos de inteligência artificial ou de preços mais altos, mas seus executivos apontam a tecnologia como motor para novas vendas.

De acordo com dados do levantamento da plataforma de pesquisa financeira AlphaSense, citados em reportagem do The Verge, os termos "AI" e "Apple Intelligence" foram mencionados 45 vezes durante a teleconferência. O volume supera o número de citações registradas na apresentação de junho de 2024, data em que a empresa revelou seus planos para a tecnologia e para a reformulação da assistente Siri.

Gastos de infraestrutura contidos e modelo de negócios

Diferentemente de outras grandes empresas do setor de tecnologia, a Apple não tem alocado volumes equivalentes de capital na construção e manutenção de infraestrutura de grande porte. No trimestre encerrado em setembro, as despesas de capital (CapEx) da empresa totalizaram US$ 2,2 bilhões. No mesmo período, a Amazon reportou US$ 77,3 bilhões e a Alphabet informou US$ 51,4 bilhões. Os montantes das concorrentes cobrem gastos corporativos gerais e não se limitam exclusivamente à inteligência artificial.

As despesas operacionais da Apple subiram 21%, para US$ 19,2 bilhões, devido ao aumento em pesquisa e desenvolvimento (P&D), que inclui projetos de IA. O diretor financeiro (CFO) Kevan Parekh declarou que os custos de nuvem da assistente Siri com IA serão integrados ao custo de vendas de serviços e podem subir conforme o uso. Parekh ressaltou que ainda é cedo para estimar a proporção de requisições que exigirá servidores em vez de processamento no próprio dispositivo.

A abordagem da fabricante combina processamento direto no aparelho, servidores próprios e sistemas de terceiros. A Siri utiliza modelos desenvolvidos com a tecnologia Gemini, do Google. Adicionalmente, reportagens apontam planos para que os usuários possam escolher entre diferentes provedores externos para recursos como geração de imagens e ferramentas de escrita.

Execução local em computadores e cobrança futura

A estratégia comercial da Apple inclui a venda de dispositivos que suportem tarefas locais, a arrecadação de taxas sobre assinaturas de aplicativos de terceiros e a cobrança futura por pacotes com capacidades expandidas. O presidente executivo John Ternus afirmou na teleconferência que recursos dependentes de modelos em servidores, como a edição inteligente de fotos e a Siri reformulada, terão limites de uso. Clientes que demandarem maior capacidade poderão adquirir acesso expandido no futuro.

O uso de inteligência artificial de forma local impulsionou o interesse pelos computadores da marca. Equipamentos como o Mac Mini e o Mac Studio vêm sendo utilizados por desenvolvedores e empresas para executar modelos locais, evitando cobranças por tokens cobradas por serviços em nuvem. A Apple citou como exemplo a rede varejista Gap, que utiliza o Mac Mini para prevenção de perdas em lojas, e a casa de leilões Christie's, que executa modelos locais no Mac Studio para estimativas de preços.

Em relação a softwares de terceiros, uma reportagem do The Wall Street Journal baseada em dados da consultoria AppMagic indicou que a Apple estava no caminho para gerar mais de US$ 1 bilhão em comissões na App Store com aplicativos de IA generativa em 2026. No entanto, fornecedores têm buscado direcionar os pagamentos para seus próprios sites. A OpenAI, por exemplo, passou a orientar potenciais assinantes a realizar o pagamento fora da loja de aplicativos, evitando a incidência das comissões cobradas pela Maçã.

A nova versão da assistente Siri foi lançada em versão beta para o idioma inglês nos Estados Unidos em setembro e expandida para português, espanhol, francês, japonês e coreano em outubro.

Referências

Links para conferência: não indicam endosso das fontes ao conteúdo do portal.

Comentários 0

Seja respeitoso. Comentários com links passam pela moderação.

Ninguém comentou ainda. Seja o primeiro!

Leia também