Anthropic relata descoberta biológica realizada pelo modelo Claude
A Anthropic anunciou que seu modelo Claude identificou um novo sistema de enzimas similar ao CRISPR em seu laboratório de biologia.
Resumo rápido
- Anthropic anuncia descoberta de novo sistema enzimático similar ao CRISPR em seu laboratório biológico.
- Trabalho de análise de dados do modelo Claude durou 21 horas com o uso de 950 agentes interconectados.
- Experimentos físicos em bancada foram conduzidos por humanos e a validação depende da comunidade científica.
Entenda o contexto
A Anthropic é uma desenvolvedora de inteligência artificial criadora da família de modelos Claude. O CRISPR é um sistema imunológico natural de bactérias adaptado pela ciência como ferramenta de edição genética. A aplicação de IA na biologia molecular busca acelerar a descoberta de novos mecanismos biológicos e tratamentos de saúde.
A Anthropic anunciou ter identificado o que considera uma grande descoberta biológica em seu laboratório de bancada na Bay Area: um sistema de enzimas até então desconhecido localizado no DNA de bacteriófagos — vírus que infectam e se replicam dentro de bactérias. Segundo a empresa, o sistema apresenta características que lembram a tecnologia de edição genética CRISPR, sendo capaz de realizar ações como cortar, copiar e colar sequências genéticas.
De acordo com a companhia, o trabalho de análise que levou à descoberta levou 21 horas de esforço contínuo do modelo Claude. Para concluir a tarefa de busca em dados, o sistema utilizou cerca de 950 agentes e consumiu 210 milhões de tokens. A criação das instalações físicas de pesquisa da empresa ocorreu durante a primavera do hemisfério norte.
Validação científica e execução por cientistas humanos
O diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, declarou na rede social X que a descoberta se baseou em trabalhos anteriores de terceiros e observou que pesquisadores da Universidade Stanford já haviam encontrado um sistema parecido. A validação do alcance e da novidade do achado dependerá do escrutínio da comunidade científica ampla.
Apesar da participação do Claude no processamento e análise dos dados, a empresa destacou que os testes e experimentos biológicos em bancada foram realizados inteiramente por cientistas humanos. As instalações lidam apenas com níveis baixos de risco de biossegurança (BSL-1 e BSL-2) e não manipulam patógenos capazes de infectar seres humanos, segundo os detalhes fornecidos pela empresa.
Contexto e o futuro da automação em laboratórios
A revelação ocorre em meio ao debate sobre os riscos do avanço acelerado da inteligência artificial. Recentemente, líderes de IA defenderam desacelerar o desenvolvimento de modelos para criar procedimentos formais de segurança, e Amodei mencionou anteriormente preocupações sobre o uso da tecnologia para bioterrorismo, embora preveja avanços na cura de doenças nos próximos cinco a dez anos.
A utilização de sistemas computacionais avançados na biologia não é exclusiva da empresa, visto que o Google lançou a ferramenta AlphaFold em 2020 e instituições como Stanford e a Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) também utilizam modelos de linguagem na área. No entanto, Amodei indicou que não descarta que o Claude possa futuramente operar equipamentos de laboratório de forma autônoma, desde que existam salvaguardas apropriadas, algo que a empresa garante não fazer atualmente. A iniciativa segue a estratégia recente em que a Anthropic cria laboratório para Claude orientar robôs em pesquisas.
Referências
- Reportagem consultada: TechCrunch — IA
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