Usinas nucleares nos EUA adotam assistentes de IA para operar dados

Quase toda a frota de 94 reatores nucleares dos EUA recebeu a opção de integrar inteligência artificial para otimizar rotinas de documentação e dados.

Por Redação Noticiário IA

· 3 min de leitura

Usinas nucleares nos EUA adotam assistentes de IA para operar dados
Imagem: IEEE Spectrum — IA

Resumo rápido

  • Quase todos os 94 reatores nucleares dos EUA receberam ofertas de IA e a maioria aceitou a integração.
  • Ferramentas como o NIVA e produtos da Nuclearn otimizam pesquisas em milhões de páginas de documentação regulatória.
  • A parceria de tech e energia busca mitigar a escassez de mão de obra e suprir dados para datacenters.
Entenda o contexto

A indústria nuclear exige o cumprimento de rígidas normas regulatórias e o registro detalhado de todas as operações de manutenção. O avanço da IA no setor busca automatizar a consulta a essas bases de dados acumuladas por décadas, ajudando no cumprimento de requisitos burocráticos sem interferir no controle direto dos reatores.

Usinas de energia nuclear nos Estados Unidos estão recorrendo à inteligência artificial para lidar com tarefas complexas de documentação e gestão de dados. Neste ano, quase a totalidade da frota de 94 reatores nucleares do país recebeu a chance de integrar ferramentas de IA em suas operações, e a maioria aceitou a proposta.

Em agosto, a empresa Atomic Canyon lançou o NIVA (Nuclear Industry Virtual Assistant), um assistente virtual voltado para a indústria nuclear. Desenvolvido em cooperação com grupos do setor, o sistema passou por testes piloto em instalações da Constellation Energy e agora está disponível para os reatores operados em território norte-americano. Paralelamente, a startup Nuclearn informou que seus produtos já funcionam em conjunto com mais de 65 parceiros nos EUA, incluindo integrações com a NuScale Power Corporation focadas em reatores nucleares de pequeno porte.

Automação de documentos e linguagem do setor

As ferramentas de IA têm como foco principal acelerar o processamento do volume massivo de documentação exigido para cumprir normas regulatórias e registrar manutenções. Segundo Jerrold Vincent, CFO e cofundador da Nuclearn, os sistemas ajudam as usinas a buscarem informações em grandes repositórios de dados com mais eficiência para enviar relatórios ao governo federal ou consultar como falhas antigas foram solucionadas.

Para desenvolver a tecnologia da Atomic Canyon, o executivo-chefe Trey Lauderdale utilizou 53 milhões de páginas de dados públicos da Comissão Reguladora Nuclear (NRC). A empresa firmou uma parceria com o Oak Ridge National Laboratory para criar modelos específicos capazes de interpretar a terminologia e as regulamentações próprias do setor nuclear.

Demanda energética e desafios de mão de obra

A expansão dessas ferramentas ocorre em um momento em que empresas de tecnologia buscam no setor nuclear uma fonte de eletricidade para alimentar datacenters. Como parte dessa aproximação entre os setores, a Microsoft e a Nvidia colaboram em um projeto focado na aplicação de IA para otimizar o ciclo de vida de usinas nucleares, englobando desde o licenciamento e projeto até a construção e operação contínua. Para saber mais sobre iniciativas semelhantes, veja como a Nvidia destaca uso de IA em projetos de energia limpa.

Outro fator impulsionador é a redução do quadro de funcionários experientes no setor nuclear, que enfrenta o envelhecimento da força de trabalho e a falta de novos profissionais após décadas de estagnação na construção de reatores. A proposta dos assistentes é permitir que os operadores atuais façam perguntas diretas ao sistema sobre normas, procedimentos e compra de materiais, concentrando o conhecimento acumulado por décadas em consultas centralizadas. Apesar do avanço em relatórios e buscas, as empresas mantêm o uso da IA restrito ao gerenciamento de dados técnicos e processos administrativos do setor.

Referências

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