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Startups e cientistas usam dados de videogames para treinar IA

Pesquisadores e startups recorrem a dados de jogos para treinar modelos de mundo, mas especialistas divergem sobre a precisão física dessas simulações.

Por Redação Noticiário IA

· 3 min de leitura

Startups e cientistas usam dados de videogames para treinar IA
Imagem: Wired — IA

Resumo rápido

  • Pesquisadores focam em modelos de mundo para permitir que sistemas de IA interajam com o ambiente físico.
  • A startup Worldmodeldata licenciou quase 1 milhão de horas de dados de jogos para criar conjuntos de treinamento.
  • Especialistas e empresas como a Nvidia alertam que a física simplificada dos jogos pode limitar o controle motor fino.
Entenda o contexto

Modelos de mundo são sistemas de inteligência artificial projetados para compreender e prever as leis físicas e dinâmicas do ambiente real, permitindo a navegação e a manipulação de objetos por robôs ou veículos autônomos.

Pesquisadores de inteligência artificial e startups estão utilizando dados coletados de jogos eletrônicos para enfrentar a escassez de dados necessária no treinamento de modelos de mundo. Nomes reconhecidos da área, como Fei-Fei Li e Yann LeCun, vêm direcionando esforços para essa classe de IA, desenvolvida para compreender o ambiente físico e orientar ações em veículos autônomos, braços robóticos e outros sistemas que exigem precisão motorizada.

Diferente dos grandes modelos de linguagem, que aprendem a partir de vastos volumes de texto, os modelos de mundo exigem dados visuais combinados com informações de causa e consequência, tais como força de preensão e torque. Como esse tipo de registro é raro na internet, empresas buscam extrair dados de ações e entradas de controles fornecidos por estúdios de videogame.

Intermediação de dados e cenários de exceção

A startup britânica Worldmodeldata, que conta com a consultoria de LeCun, atua como intermediária para licenciar e organizar esse material para laboratórios. A empresa informou ter licenciado quase 1 milhão de horas de dados provenientes de jogos populares. A CEO da startup, Rhea Loucas, afirmou que a abundância e a variedade de experiências dos videogames podem ensinar sistemas de IA e que a meta é permitir futuramente a remuneração de jogadores individuais que forneçam registros.

A captação manual de dados no mundo real por meio de sensores em humanos ou robôs é vista por investidores como um processo lento e incapaz de cobrir todas as situações atípicas. Na avaliação de Nicole Fraenkel, sócia da firma de capital de risco Khosla Ventures, a repetição de tarefas simples não captura a desordem do mundo real, no qual o custo de erro para carros, aviões, drones ou empilhadeiras é elevado.

Divergências sobre a precisão da física dos jogos

Apesar do entusiasmo de parte do setor, o uso de dados de videogames enfrenta ceticismo. A NVIDIA, por exemplo, opta por utilizar um motor próprio criado especificamente para replicar a física real no desenvolvimento de sua família de modelos de mundo.

Ming-Yu Liu, líder de desenvolvimento de modelos de mundo na Nvidia, e Xiatian Zhu, professor associado da Universidade de Surrey, apontam que os jogos costumam utilizar atalhos de programação e física aproximada para criar a ilusão de realismo. Segundo Liu, o treinamento com dados de jogos é mais adequado para a geração de vídeos hiper-realistas ou cenários em 3D, sendo menos indicado para tarefas de manipulação precisa de objetos, nas quais os detalhes motores são mais exigentes.

Referências

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