Satlyt capta US$ 8 milhões para rodar software de IA em satélites
A Satlyt capta US$ 8 milhões para desenvolver softwares de IA para satélites e embarca tecnologia em lançamento de foguete da SpaceX.
Resumo rápido
- A Satlyt arrecadou US$ 8 milhões em uma rodada de financiamento seed liderada pela Non Sibi Ventures.
- A empresa desenvolve softwares para executar modelos de IA e processar dados diretamente em satélites.
- O software será lançado em um foguete da SpaceX a bordo de uma espaçonave construída pela TakeMe2Space.
Entenda o contexto
O processamento de dados em satélites enfrenta o desafio do downlink, que é a transmissão de dados do espaço para a Terra, um processo lento e caro. A utilização de softwares com inteligência artificial a bordo das espaçonaves permite analisar informações antes do envio, otimizando a operação sem depender do controle contínuo em solo.
A startup Satlyt, fundada pelo ex-gerente de produtos do Google e da SpaceX Rama Afullo, anunciou a captação de US$ 8 milhões em uma rodada de financiamento seed. A empresa desenvolve softwares voltados para a execução de modelos de inteligência artificial diretamente em satélites na órbita terrestre, permitindo que diferentes espaçonaves compartilhem tarefas computacionais complexas.
A rodada de investimento foi liderada pela firma de capital de risco Non Sibi Ventures, sediada em Houston. O aporte ocorre no momento em que o software da Satlyt está programado para subir ao espaço em um foguete da SpaceX, levando a tecnologia a bordo de uma espaçonave construída pela startup indiana TakeMe2Space, especializada em hardware de computação para satélites.
Processamento de dados no espaço e economia operacional
Diferente de companhias que projetam seus próprios satélites, a Satlyt foca no desenvolvimento da camada de software. O objetivo da startup é criar um ecossistema aberto compatível com equipamentos de diversos fabricantes, permitindo o gerenciamento de serviços e o processamento de dados sem a necessidade de enviar todas as informações brutas de volta à Terra.
A transmissão de dados para o solo, conhecida como downlink, costuma ser dispendiosa e lenta. Ao utilizar inteligência artificial para tomar decisões no próprio veículo espacial, as operadoras conseguem identificar anomalias no sistema e processar dados de sensores diretamente em órbita, gerando redução de custos. Em uma demonstração prévia em uma espaçonave da Momentus, a Satlyt utilizou o modelo Gemma, da Google DeepMind, reduzindo em mais de 60% o tamanho das transmissões sobre erros do software de bordo.
Parcerias com a NASA e planos futuros
A missão a bordo do satélite da TakeMe2Space envolve três clientes principais. A NASA contratou a empresa para testar protocolos de computação em nuvem no espaço; a Stellerian busca testar o processamento de imagens para vigilância espacial; e a própria TakeMe2Space pretende demonstrar a capacidade de sua estrutura em hospedar softwares de terceiros.
O próximo projeto da Satlyt é estabelecer um sistema de computação compartilhado integrando dois satélites distintos, teste previsto para o próximo ano. A empresa projeta expandir sua atuação para alcançar 20% dos satélites em operação até o final da década, à medida que processadores avançados e GPUs passem a integrar as especificações padrão das naves espaciais.
Referências
- Reportagem consultada: TechCrunch — IA
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