NYT e outros veículos processam Brave por raspagem para IA

Jornais acusam a Brave Software de raspar dados sem permissão para treinar modelos de inteligência artificial e permitir o desvio de paywalls.

Por Redação Noticiário IA

· 2 min de leitura

Fachada do edifício da sede do jornal The New York Times com seu logotipo em destaque.
Imagem: The Verge — IA

Resumo rápido

  • O The New York Times e outros jornais moveram processos contra a Brave por suposta raspagem ilegal para alimentar sistemas de inteligência artificial.
  • A queixa alega que a empresa vendeu acesso pago ao seu índice para desenvolvedoras como Anthropic, Perplexity, Mistral, xAI e Cohere.
  • Segundo a acusação, o navegador também promove um recurso de bloqueio que permite aos usuários burlar o paywall de centenas de editores.
Entenda o contexto

Entenda o contexto: a raspagem de dados consiste na coleta automatizada de informações e conteúdos publicados na web, recurso utilizado por empresas de tecnologia para criar índices e treinar modelos de inteligência artificial. O debate judicial trata do uso de materiais protegidos por direitos autorais por navegadores e desenvolvedoras sem o consentimento ou a remuneração dos veículos de imprensa.

O jornal The New York Times e um grupo de veículos de imprensa moveram processos judiciais contra a Brave Software, empresa responsável pelo navegador Brave. A acusação alega que a companhia realizou raspagem ilegal de dados para treinar sistemas de inteligência artificial e permitiu que usuários descumpram o bloqueio de paywalls dos sites de notícias, segundo reportagem da Reuters citada pelo veículo The Verge.

Quais são as alegações contra a Brave?

De acordo com uma queixa apresentada pelas empresas que administram publicações como New York Daily News, Chicago Tribune e Orlando Sentinel, a Brave Software monetizou seu índice de sites coletados ao fornecer a empresas de IA acesso pago a conteúdos on-line em tempo real provenientes do chamado "Brave Index". A petição alega que desenvolvedoras utilizam esse índice para treinar modelos, responder a consultas de usuários ou ambas as finalidades.

A acusação afirma que a Brave forneceu conteúdos protegidos por direitos autorais a várias empresas do setor, incluindo Anthropic, Perplexity, Mistral, xAI e Cohere. O documento sustenta ainda que a Brave promove um recurso de bloqueio de paywall que lista centenas de grandes editores como acessíveis, sem jamais ter solicitado permissão para acessar, copiar ou distribuir o material, e sem pagar compensações financeiras às empresas jornalísticas.

O que dizem as partes envolvidas?

Em nota, o porta-voz do The New York Times, Graham James, declarou que o veículo acredita no uso e desenvolvimento ético e responsável da inteligência artificial, mas afirmou que a Brave ignorou repetidos pedidos para interromper sua conduta infratora. Segundo o porta-voz, a ação judicial busca responsabilizar a Brave por apropriar-se do conteúdo do jornal para alimentar seus próprios produtos e fornecê-lo a empresas de IA generativa.

As empresas Brave, Anthropic, Mistral, SpaceXSI e Cohere não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Em declaração ao The Verge, Jesse Dwyer, diretor de comunicação da Perplexity, afirmou que o The New York Times está pagando demais aos seus advogados e pagando mal aos seus jornalistas, os quais teriam identificado facilmente a desinformação presente no processo.

Referências

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