Anthropic acelera desenvolvimento de IA com próprio modelo
Relatório da METR indica que a Anthropic acelerou a evolução de seus modelos usando IA, mas a empresa omitiu dados sob justificativa comercial.
Resumo rápido
- Um relatório da organização METR indica que a inteligência artificial está acelerando a pesquisa e o desenvolvimento dentro da Anthropic.
- Pesquisadores da METR relataram que o acesso às informações foi limitado e que trechos foram ocultados pela empresa por razões comerciais.
- Críticos afirmam que a aceleração e a retenção de dados contradizem as posições públicas da Anthropic em prol do desenvolvimento seguro e transparente.
Entenda o contexto
A Anthropic é uma empresa de inteligência artificial que defende publicamente o desenvolvimento responsável e a segurança de modelos avançados. A automação da pesquisa por meio dos próprios modelos levanta debates sobre a capacidade de manter salvaguardas enquanto a tecnologia acelera a si mesma.
Relatório da METR revela aceleração liderada por IA na Anthropic
Segundo um relatório divulgado pela organização de pesquisa em segurança de IA METR, após uma investigação de 11 semanas na Anthropic, o uso de inteligência artificial está acelerando o desenvolvimento e a pesquisa da própria empresa. O documento sobre avaliação de pesquisa e desenvolvimento aponta que os modelos da Anthropic estão evoluindo cerca de duas vezes mais rápido do que há um ano. Pontuações de benchmarks citadas na investigação sugerem que a empresa realizou cerca de dois anos de progresso histórico ao longo do último ano.
De acordo com a METR, os pesquisadores demonstraram confiança de que a aceleração registrada até outubro não decorre apenas do aumento do poder computacional usado no treinamento dos modelos. Em vez disso, a organização afirmou que a maior parte desse ganho de velocidade é atribuída à própria IA, cuja contribuição tem crescido ao longo do tempo.
Estimativas de produtividade interna e modelos sob sigilo
As conclusões da METR foram baseadas em dados de desempenho de modelos, pesquisas confidenciais, enquetes informais no Slack e entrevistas com funcionários da Anthropic. Os colaboradores que utilizaram o modelo interno mais capaz da empresa relataram, em média, uma produtividade autorrelatada cerca de 12 vezes maior do que alcançariam sem o auxílio da IA. Esse valor representa cerca do dobro do que havia sido informado por funcionários meses antes, quando utilizavam o modelo Mythos 5. O relatório aponta ainda que três dos modelos de IA mais novos da Anthropic permanecem não divulgados ao público.
O documento também cita o cenário geral do setor: embora a investigação da METR cubra apenas a Anthropic, a OpenAI declarou em setembro que está progredindo na construção de um pesquisador de IA capaz de avançar no aprendizado profundo e alinhamento até março de 2028.
Limitações no acesso a dados e reações de especialistas
Apesar de a Anthropic ter concedido à METR acesso a informações não públicas — o que ultrapassou o escopo inicial do projeto —, a organização ressaltou limitações no processo. O acesso não foi irrestrito e diferiu da modalidade garantida a pesquisadores de segurança que recebem acesso similar ao de funcionários em um programa separado. A METR informou que o fluxo de dados foi restrito e que um pequeno número de pedidos de dados foi recusado.
A METR destacou que a ocultação de trechos (tarja preta) por parte da Anthropic prejudicou a capacidade de comunicar as descobertas e de terceiros avaliarem o que ocorre na empresa. Muito do conteúdo ocultado permite múltiplas interpretações plausíveis, obrigando o público a confiar na avaliação da METR. Em resposta ao relatório, o cofundador da Anthropic, Sam McCandlish, declarou no X (antigo Twitter) que a empresa ocultou dados por razões de sensibilidade comercial e para não entregar um roteiro que acelere o trabalho de concorrentes, o que tornaria os riscos piores.
Segundo a reportagem do The Verge, a publicação gerou reações no meio de pesquisa. Daniel Kokotajlo, ex-pesquisador da OpenAI que atualmente dirige o AI Futures Project, acusou a Anthropic de agir de forma imprudente e afirmou ser contraditório a empresa citar o avanço alheio para ocultar informações enquanto não parece diminuir o próprio ritmo. Já Brianna Rosen, diretora de pesquisa para segurança de fronteira do Institute for AI Policy and Strategy, afirmou ao The Verge que é preocupante que empresas, e não governos, estejam definindo os rumos da automação da pesquisa em IA, ressaltando que o relatório não foi suficientemente transparente sobre as evidências.
Referências
- Reportagem consultada: The Verge — IA
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