Pesquisa Repercussão

Nova IA reconstrói imagens vistas a partir de exames cerebrais

Ferramenta de inteligência artificial recria imagens observadas por pessoas com base em dados de exames cerebrais de alta resolução.

Por Redação Noticiário IA

· 2 min de leitura

Resumo rápido

  • Ferramenta de inteligência artificial reconstrói o que uma pessoa vê com base em exames cerebrais.
  • Modelo foi desenvolvido por pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência, em Israel.
  • Cientistas apontam potencial terapêutico, mas alertam para riscos de privacidade mental.
Entenda o contexto

A ressonância magnética funcional (fMRI) mede o fluxo de sangue oxigenado no cérebro para identificar áreas com maior atividade neural. A reconstrução visual por meio de inteligência artificial busca decodificar esses sinais para traduzir o que o cérebro humano processa.

Uma nova ferramenta de inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores do Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot, Israel, é capaz de inferir o que uma pessoa está observando por meio da análise de exames cerebrais e recriar essa imagem. O sistema também consegue fazer o caminho inverso, prevendo a atividade neural com base em estímulos visuais.

O trabalho foi liderado pela cientista da computação Michal Irani e sua equipe. Para a construção dos modelos, os pesquisadores utilizaram conjuntos de dados públicos coletados com aparelhos de ressonância magnética funcional (fMRI, na sigla em inglês) de maior resolução, nos quais cada voxel de atividade corresponde a cerca de um milímetro cúbico de tecido com neurônios. A tecnologia combina um codificador e um decodificador junto a um modelo de difusão, que remove gradualmente o ruído de um conjunto de pixels para gerar representações mais fiéis das imagens capturadas pelo cérebro.

Aplicações terapêuticas e alertas de privacidade

Segundo os autores, a abordagem pode auxiliar no futuro pessoas com síndrome do encarceramento a se comunicarem ou permitir que cientistas recriem o conteúdo de sonhos. Judy Illes, especialista em neuroética e professora de neurologia da Universidade da Colúmbia Britânica, descreveu o trabalho como magnífico e apontou o potencial para fins terapêuticos. Por outro lado, especialistas em neurociência destacam preocupações éticas relacionadas à privacidade mental. Para Tommy Sprague, neurocientista da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, existe o alerta de que métodos semelhantes possam ser empregados para extrair informações sobre os pensamentos de um indivíduo sem o seu consentimento.

Entre as vantagens técnicas destacadas no estudo está a redução no tempo de calibração necessário para novos participantes. Enquanto abordagens anteriores costumavam exigir cerca de 40 horas de dados de fMRI por indivíduo, a nova ferramenta necessita de apenas uma hora de dados para conseguir prever o que o participante está visualizando, o que pode baratear e acelerar pesquisas na área.

Referências

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