Meta economiza US$ 3,9 bi em impostos ao classificar data centers de IA como experimentos
Meta utiliza crédito tributário dos EUA e categoriza infraestrutura de inteligência artificial e chips da Nvidia como projetos experimentais.
Resumo rápido
- Meta economizou US$ 3,9 bilhões em impostos nos EUA em 2025 usando um crédito federal de pesquisa para data centers de IA.
- A empresa categorizou as instalações como modelos piloto e os chips da Nvidia como materiais experimentais.
- Apesar da economia, relatórios da própria Meta indicam riscos legais e alerta da Receita Federal norte-americana.
Entenda o contexto
Data centers são infraestruturas físicas compostas por milhares de processadores que alimentam o treinamento e a execução de modelos de IA. A Meta vem investindo massivamente nessas instalações para sustentação de seus produtos principais, gerando questionamentos sobre a aplicação de incentivos fiscais originalmente voltados à pesquisa e desenvolvimento experimental.
A Meta utilizou um crédito tributário federal de pesquisa dos Estados Unidos para economizar US$ 3,9 bilhões em 2025 ao classificar seus data centers de inteligência artificial como "modelos piloto" e os chips da Nvidia como materiais experimentais. Segundo reportagem do jornal The New York Times, divulgada pelo site The Decoder nesta quarta-feira, 30 de setembro de 2026, a empresa se tornou a maior beneficiária desse incentivo fiscal entre todas as companhias de capital aberto, após ter economizado US$ 2 bilhões no ano anterior e US$ 700 milhões em 2023.
A rotulação dessas instalações como experimentos contrasta com as declarações públicas da própria empresa. Em julho de 2025, o presidente-executivo Mark Zuckerberg anunciou planos de investir centenas de bilhões de dólares em capacidade computacional para construir superinteligência, citando grandes clusters como o Prometheus, que já está parcialmente operacional, e o Hyperion, projetado para atingir 5 GW ao longo de vários anos. Adicionalmente, em junho de 2026, a companhia detalhou publicamente sua infraestrutura maciça, que inclui parcerias com Nvidia, AMD, AWS, Arm e Broadcom, além de seus chips próprios MTIA.
Riscos fiscais e expansão da estratégia por consultoria
O crédito fiscal aplicado baseia-se em uma legislação aprovada em 1981 nos EUA. A Meta defende o uso do benefício destacando os US$ 200 bilhões aplicados em pesquisa e desenvolvimento nos últimos cinco anos. Contudo, em relatórios enviados à Securities and Exchange Commission (SEC), a própria equipe de contabilidade da Meta aponta que a estratégia envolve riscos jurídicos e que as economias podem ser contestadas pelas autoridades fiscais. Em função disso, as provisões da empresa para posições fiscais incertas subiram 45%, alcançando US$ 18,74 bilhões.
A auditora EY aprovou a manobra tributária da Meta e ajudou a estruturar o plano original. De acordo com a publicação, a firma de consultoria agora repassa a mesma abordagem para outras empresas que buscam compensar os altos custos de aquisição de chips para IA, em meio aos contínuos investimentos do setor em infraestrutura de data centers.
Referências
- Reportagem consultada: The Decoder
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