IA supera contadores em tarefas estruturadas, diz estudo
Estudo da Mercor mostra que modelos de IA superam contadores em velocidade e precisão, mas ainda exigem supervisão para fechar balanços.
Resumo rápido
- Modelos de IA superam contadores humanos em velocidade e precisão em tarefas estruturadas de escrituração contábil.
- O Claude Opus 5.5 lidera o benchmark APEX Accounting com 61,8% dos critérios de avaliação atendidos.
- Nenhuma IA resolveu quase 60% das tarefas completas, mostrando que a supervisão humana ainda é indispensável.
Entenda o contexto
O APEX Accounting Benchmark é um conjunto de testes desenhado para medir a capacidade de sistemas de IA em resolver tarefas reais de contabilidade. O estudo mostra o avanço das ferramentas de automação, ao mesmo tempo em que sinaliza as limitações da tecnologia para atuar sem acompanhamento humano.
Modelos de inteligência artificial já superam contadores licenciados em velocidade, precisão e custo no cumprimento de tarefas estruturadas de escrituração contábil. A conclusão é de um estudo publicado pela plataforma Mercor nesta sexta-feira, 2 de outubro de 2026, no qual 12 contadores públicos certificados (CPAs), com média de cinco anos e meio de experiência, resolveram atividades simplificadas baseadas no teste APEX Accounting Benchmark.
Os dados divulgados mostram uma evolução rápida do setor nos últimos 18 meses. Naquele período, os melhores sistemas de IA obtiveram desempenho inferior à média dos profissionais humanos, que ficou em cerca de 37%. Atualmente, os modelos realizam essas mesmas tarefas pontuais de forma quase impecável, segundo a avaliação da Mercor. O avanço reflete investimentos na automação contábil por startups e grandes desenvolvedoras.
Desempenho no benchmark e limitações práticas
Quando submetidos ao benchmark completo do APEX Accounting — composto por 160 tarefas em 10 empresas simuladas e criado por mais de 40 profissionais com média de 11 anos de atuação —, os modelos apresentaram limites. O Claude Opus 5.5 lidera o ranking atual com 61,8% dos critérios de avaliação atendidos, seguido pelo Fable 5.1, com 61,0%, e pelo GPT-6 Astra, com 57,9%. Apesar desses índices, a Mercor pontua que nenhum sistema conseguiu resolver completamente quase 60% dos cenários propostos.
A própria Mercor reconheceu que o estudo avaliou aspectos em que os sistemas de inteligência artificial se destacam naturalmente, como a busca por detalhes específicos e o cumprimento rigoroso de instruções diretas. A pesquisa deixou de fora etapas fundamentais da rotina contábil, incluindo o diálogo direto com clientes, a articulação com colegas de trabalho e a aplicação de conhecimentos contextuais acumulados ao longo dos anos.
Embora preveja ganhos expressivos de produtividade para o setor contábil, a análise conclui que os modelos de IA ainda não são capazes de fechar balanços ou encerrar livros contábeis sem a supervisão direta de profissionais humanos, mantendo o padrão visto onde humanos tomam as decisões finais.
Referências
- Reportagem consultada: The Decoder
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