Pesquisa Repercussão

Agentes de IA ampliam trabalho de código, mas humanos ainda decidem

Estudo da Universidade Fudan revela que agentes de IA executam mais etapas na criação de modelos, mas humanos tomam mais de 80% das decisões finais.

Por Redação Noticiário IA

· 3 min de leitura

Agentes de IA ampliam trabalho de código, mas humanos ainda decidem
Imagem: The Decoder

Resumo rápido

  • Pesquisa analisou mais de 700 registros de tarefas na criação do modelo de linguagem Atria Dawn Preview.
  • Agentes executaram mais ações por intervenção humana, mas tomadas de decisão continuaram sob domínio humano.
  • Um terço das tarefas concluídas foi considerado inviável de realizar sem o auxílio dos agentes de IA.
Entenda o contexto

Agentes de inteligência artificial são sistemas programados para executar sequências de tarefas de forma autônoma com o uso de ferramentas externas. O estudo avalia até que ponto essa autonomia se aplica ao próprio desenvolvimento de novos modelos de linguagem, que dependem de decisões arquitetônicas e conceituais.

Uma equipe de pesquisa que inclui integrantes da Universidade Fudan, na China, documentou como humanos e agentes de inteligência artificial colaboraram na criação do modelo Atria Dawn Preview. A análise de mais de 700 registros de tarefas de 56 participantes apontou que, embora os agentes assumam um volume cada vez maior de etapas operacionais, os especialistas humanos continuam tomando a maioria das decisões estratégicas do projeto.

O modelo desenvolvido, chamado Atria Dawn Preview, possui arquitetura de mistura de especialistas (MoE, na sigla em inglês) com 744 bilhões de parâmetros e é voltado para tarefas de engenharia e pesquisa. Segundo os autores, o sistema lidera cinco de 16 testes de referência, incluindo buscas na web e cibersegurança — com destaque para os benchmarks AutomationBench, CyberGym e MLE-Bench Lite —, mas fica atrás da concorrência em avaliações como GDPval e SWE-Bench Pro.

Autonomia relativa e controle de diretrizes

Durante as quatro semanas de acompanhamento, o uso de IA esteve presente em 96,5% das tarefas revisadas. A taxa mediana de ações executadas pelos agentes para cada entrada humana subiu de 11 para 28,5. No entanto, a equipe ressalta que essa variação reflete mais passos de execução para cada comando recebido, e não um aumento na autonomia decisória dos sistemas.

A distribuição das escolhas mostrou que a definição de métodos e parâmetros seguiu o padrão de proposta pela IA e seleção pelo humano em 55,4% dos casos. No total, os humanos tomaram 85,5% das decisões sobre métodos e parâmetros, enquanto os agentes responderam por 9,2%. Quando o assunto foi o estabelecimento de metas e escopo, a palavra final coube aos humanos em 93,4% das situações.

O levantamento revelou ainda que a IA viabilizou trabalhos que não teriam sido iniciados de outra forma. Das 455 tarefas concluídas com auxílio computacional, 151 foram classificadas pelos participantes como inviáveis sem o uso de IA no mesmo escopo e qualidade. Nesses casos de alta dependência, os humanos ainda escolheram o objetivo principal em 95,4% das ocorrências.

Resolução de falhas e o debate sobre automação

Diante de dificuldades registradas em 588 tarefas, 76% avançaram graças à intervenção humana, enquanto o agente resolveu o problema sozinho em 23% dos episódios. O auxílio humano ocorreu majoritariamente por meio do fornecimento de informações, como o detalhamento do contexto ou o ajuste de requisitos (35,2%) e o diagnóstico de erros com mudança de método (34,7%). A execução manual direta foi rara: edições parciais feitas por pessoas somaram 3,2% e a assunção total da tarefa atingiu 0,7%. Quando o código do agente precisava de ajustes, ele próprio realizou as modificações em 75,4% das vezes após receber a orientação.

A discussão ocorre em meio a alertas sobre o controle de agentes no setor tecnológico. Na Anthropic, por exemplo, a alegação é que humanos tomam apenas uma porcentagem de um dígito das decisões sobre rumos de pesquisa, levando o CEO Dario Amodei a defender limites de velocidade no desenvolvimento. A OpenAI emprega o modelo GPT-5.6 Sol em seu ciclo de desenvolvimento, enquanto a Google e a DeepMind utilizam o sistema Dream-RSI para explorar trajetórias de busca. Por outro lado, um estudo independente da Universidade de Princeton e do Instituto de Segurança em IA do Reino Unido indicou que modelos avançados realizam tarefas de engenharia, mas falham nas decisões qualitativas centrais do processo.

Referências

Links para conferência: não indicam endosso das fontes ao conteúdo do portal.

Comentários 0

Seja respeitoso. Comentários com links passam pela moderação.

Ninguém comentou ainda. Seja o primeiro!

Leia também