Huawei orienta clientes a obterem memórias de chips de IA no mercado

Segundo reportagem, a Huawei orienta clientes a buscar memórias de alta largura de banda de forma independente devido a restrições e escassez.

Por Redação Noticiário IA

· 2 min de leitura

Ilustração de componentes de memória de alta largura de banda e semicondutores de IA
The Decoder

Resumo rápido

  • Diante de restrições de exportação dos EUA e escassez de fornecedores locais, a Huawei orienta clientes a comprarem memórias de chips de IA por conta própria.
  • Contrabandistas contornam regras americanas agrupando memórias HBM com processadores de baixo custo enviados à China por Hong Kong.
  • O valor da memória HBM3E no mercado paralelo chegou a cerca de US$ 4.000 por unidade, segundo um corretor de Shenzhen.
Entenda o contexto

A memória de alta largura de banda (HBM) é um tipo de arquitetura de memória DRAM empilhada verticalmente usada para acelerar o processamento de dados em tarefas pesadas de inteligência artificial. Devido a sanções e restrições de exportação impostas pelos EUA, o acesso a esse componente tornou-se um gargalo crítico para fabricantes de hardware na China.

A Huawei está orientando alguns de seus clientes a procurarem de forma independente a memória necessária para seus chips de inteligência artificial. Segundo reportagem do veículo The Information citada pelo portal The Decoder, a orientação empurra os compradores para o mercado paralelo devido a restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos e gargalos de produção de fornecedores chineses.

Gargalos de suprimento e o modelo Ascend 960DT

A empresa planeja lançar o acelerador Ascend 960DT no início do próximo ano. De acordo com alegações da Huawei, o modelo dobrará o desempenho dos processadores atuais. No entanto, os fabricantes chineses de memória de alta largura de banda (HBM, na sigla em inglês) não conseguem suprir o volume necessário. Ao mesmo tempo, regras de exportação dos Estados Unidos proíbem compras diretas da Samsung e da SK Hynix, fornecedoras sul-coreanas que detêm mais de 80% do mercado global de HBM.

Rotas de contrabando e alta nos preços

Para contornar o bloqueio norte-americano, redes ilegais de suprimento combinam as memórias HBM com processadores de servidor de baixo custo cujo desempenho fica abaixo do limite fiscalizado. Esses conjuntos são enviados para a China por meio de Hong Kong. Ao chegarem ao destino, oficinas locais separam os módulos de memória dos processadores secundários. Conforme detalhado pela reportagem, trata-se de um processo delicado e com alta taxa de erros, mas que mantém margens de lucro elevadas.

De acordo com um corretor localizado em Shenzhen, o valor da memória HBM3E contrabandeada saltou de poucas centenas de dólares para cerca de US$ 4.000 por unidade no período de um ano. Como cada chip de IA exige entre seis e oito unidades de HBM, o custo apenas do componente de memória por processador pode atingir até US$ 32.000.

Fontes do mercado paralelo e investigações alfandegárias

Além do transporte não autorizado através de Hong Kong, o mercado paralelo é alimentado por placas de vídeo antigas da Nvidia desmanteladas para reaproveitamento de peças e por estoques excedentes de projetistas de chips que cancelaram projetos ou reduziram pedidos.

A fiscalização internacional tem registrado aumento nessas operações. Até maio, a autoridade alfandegária da Coreia do Sul havia identificado violações comerciais que somavam US$ 560 milhões, montante que superou o recorde anterior registrado para um ano inteiro. Um terço desse valor envolveu mercadorias estratégicas, como semicondutores exportados sem a devida autorização ou com declarações falsas às autoridades de controle.

Referências

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