Google lança chip de IA ao espaço e projeta centro de dados em órbita
Protótipo do Google com chip TPU foi lançado em foguete da SpaceX. Empresa projeta rede com 81 satélites para processamento de IA em órbita.
Resumo rápido
- Google envia chip TPU ao espaço em foguete da SpaceX para testar infraestrutura de IA em órbita.
- Projeto Suncatcher prevê centro de dados orbital composto por uma rede de 81 satélites integrados.
- Estudo indica que redução de custos depende de 1.800 voos do foguete Starship nos próximos dez anos.
Entenda o contexto
O Project Suncatcher é a iniciativa do Google para construir centros de dados no espaço usando chips de aceleração de IA próprios, conhecidos como TPUs. A tecnologia visa responder às crescentes demandas computacionais e de infraestrutura dos modelos de inteligência artificial, utilizando redes de satélites interconectados.
Um protótipo de satélite do Google equipado com um chip de inteligência artificial da empresa decolou nesta quinta-feira (1 de outubro de 2026) a bordo de um foguete da SpaceX, na Califórnia. O evento marca a primeira vez que a companhia envia uma de suas unidades de processamento tensorial (TPU, na sigla em inglês) para o espaço. O equipamento foi construído pela Planet Labs com o objetivo de demonstrar a viabilidade operacional do semicondutor, concorrente das GPUs da Nvidia, em ambiente espacial.
Para manter o funcionamento no espaço, a espaçonave precisa fornecer um quilowatt de energia contínua, resfriar o componente e executar uma série de modelos de IA para monitorar eventuais falhas. De acordo com a empresa, após o comissionamento, o satélite ativará a TPU em rajadas de 15 minutos para evitar sobrecarga nos sistemas de gerenciamento térmico e de energia da plataforma.
Projeto Suncatcher e centros de dados orbitais
A iniciativa faz parte do Project Suncatcher, plano do Google focado no desenvolvimento de clusters de processamento de grande escala na órbita terrestre. A empresa prevê a criação de um centro de dados orbital formado por uma rede de 81 satélites operando em formação próxima e realizando processamento em paralelo. A missão compartilhou o lançamento com mais de 100 outras cargas úteis na mesma aeronave da SpaceX, incluindo projetos de startups como a Satlyt e a Cowboy Space Company.
Uma demonstração planejada pelo Google e pela Planet Labs para o próximo ano prevê o envio de dois satélites construídos especificamente para processamento avançado. As futuras versões tentarão estabelecer comunicação e colaborar por meio de um link laser. Segundo Travis Beals, executivo do Google que gerencia o Project Suncatcher, a iniciativa foca no longo prazo para atender à demanda de infraestrutura espacial e cargas de trabalho de IA nos próximos cinco anos.
Viabilidade econômica e resistência à radiação
Em um estudo revisado por pares e publicado na revista Joule, o Google analisou a viabilidade de levar capacidade computacional ao espaço. Os pesquisadores estimam que o foguete Starship, da SpaceX, precisará transportar 370.000 toneladas de carga útil em cerca de 1.800 lançamentos nos próximos 10 anos (aproximadamente 180 por ano) para atingir custos de lançamento próximos a US$ 200 por quilo até 2035. Atualmente, o veículo da SpaceX nunca voou mais do que cinco vezes em um único ano.
Em relação à durabilidade física, testes refotos pelo Google em aceleradores de partículas indicaram que as TPUs podem suportar a radiação espacial durante a vida útil de cinco anos de um satélite. Embora a taxa de erros seja baixa para tarefas típicas de inferência (cerca de um em um milhão), o executivo do Google afirmou que o índice ainda representa um entrave para o treinamento de modelos em megaescala, que exige milhares de chips operando continuamente por vários meses.
Referências
- Reportagem consultada: TechCrunch — IA
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