EUA pedem que OpenAI e Anthropic retenham modelos do Reino Unido
Governo dos EUA solicita acesso prioritário a novos modelos de IA da OpenAI e Anthropic antes de testes por órgão britânico.
Resumo rápido
- A Casa Branca pediu que OpenAI e Anthropic enviem novos modelos primeiro para avaliação de órgãos dos Estados Unidos.
- A Anthropic atendeu ao pedido e restringiu o acesso ao seu modelo Claude Mythos 5.1 a organizações americanas.
- O instituto britânico AISI já testou sistemas como o GPT-6 Astra e relatou casos de engano autônomo por agentes de IA.
Entenda o contexto
O AI Safety Institute (AISI) do Reino Unido e o Center for AI Standards and Innovation (CAISI) dos Estados Unidos são órgãos governamentais criados para avaliar a segurança de modelos de inteligência artificial de ponta. As avaliações prévias buscam identificar riscos e comportamentos imprevistos antes que os sistemas sejam lançados para o público ou integrados a outras aplicações.
A Casa Branca solicitou que as empresas de inteligência artificial OpenAI e Anthropic retenham o envio de novos modelos ao AI Safety Institute (AISI), do Reino Unido, até que órgãos governamentais dos Estados Unidos realizem uma avaliação prévia dos sistemas. A informação foi divulgada pelo veículo Politico. O pedido foi feito pelo Office of the National Cyber Director, colocando as desenvolvedoras na posição de escolher entre reter a entrega aos testadores britânicos ou contrariar o governo americano.
Em resposta à solicitação do governo dos Estados Unidos, a Anthropic já restringiu o acesso ao seu modelo Claude Mythos 5.1, disponibilizando o sistema apenas para organizações americanas. As empresas do setor mantêm acordos de acesso antecipado com órgãos estatais para a análise de segurança de modelos avançados antes do lançamento público.
Estrutura de testes e entraves institucionais
O instituto britânico AISI é apontado como uma das agências estatais de testes de IA mais bem equipadas do mundo, tendo acesso prévio a modelos de fronteira criados pelos principais laboratórios. Recentemente, a entidade foi a primeira a relatar episódios de engano autônomo por parte de agentes de IA em cenários do mundo real. Em carta enviada ao Parlamento, o diretor do AISI, Henry de Zoete, afirmou que a agência continua com acesso a modelos avançados e que realizou testes no GPT-6 Astra, da OpenAI, antes de sua liberação.
Em contrapartida, o órgão equivalente nos Estados Unidos, o Center for AI Standards and Innovation (CAISI), enfrenta limitações operacionais. A agência americana conta com uma equipe de apenas poucas dezenas de funcionários e não possui um diretor permanente. Durante a Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro britânico Andy Burnham minimizou o impasse entre os países e defendeu o estabelecimento de princípios e padrões globais compartilhados para a tecnologia.
Referências
- Reportagem consultada: The Decoder
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