Editoras nos EUA usam IA em tarefas editoriais e causam reação de equipe
Editoras dos EUA utilizam modelos como Claude e ChatGPT para textos de marketing e e-mails, gerando insatisfação de funcionários e agentes.
Resumo rápido
- Grandes editoras usam IA para criar textos de marketing e enviar e-mails a agentes sem aviso público.
- Funcionários questionam o uso de recursos corporativos em software e apontam preocupações éticas.
- Agentes literários temem o envio de manuscritos não publicados para modelos de linguagem abertos.
Entenda o contexto
Modelos de linguagem de grande porte (LLMs), como Claude e ChatGPT, são sistemas capazes de gerar textos e processar dados a partir de instruções em linguagem natural. A adoção dessas ferramentas no mercado editorial visa automatizar etapas operacionais de divulgação e comunicação, mas levanta questionamentos sobre a proteção de direitos autorais de manuscritos não publicados e sobre as rotinas de trabalho na indústria.
Grandes editoras dos Estados Unidos, como HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette, estão incorporando ferramentas de inteligência artificial em suas rotinas de trabalho sem ampla divulgação ao público ou consentimento de autores. Segundo relatos obtidos pela reportagem da Wired, executivos dessas companhias vêm direcionando o uso de modelos de linguagem como Claude e ChatGPT para criar materiais de divulgação, redigir textos de contracapa, elaborar artes de capa, planejar campanhas de marketing e enviar e-mails para agentes literários.
Reação interna e uso de ferramentas de IA
Na HarperCollins, a liderança adquiriu licenças do modelo Claude, da Anthropic, além de acessos ao ChatGPT e ao Jasper, uma plataforma voltada para automação de marketing. Para estruturar o uso da tecnologia, a empresa designou funcionários para a função de liderar sessões mensais de busca por aplicações práticas. Relatos indicam que questionamentos internos de trabalhadores sobre os impactos éticos, legais e ambientais foram desconsiderados por gestores no processo.
A insatisfação de parte das equipes envolve o contraste entre os investimentos em licenças de software e as reinvindicações por melhorias salariais no setor. Em um momento de maior adoção do recurso por parte do mercado corporativo dos EUA, onde empresas nos EUA usam mais IA e gastam menos, trabalhadores editoriais afirmam que prefere-se direcionar recursos para a automação de etapas de trabalho.
Preocupações de agentes literários e diretrizes das editoras
Agentes literários começaram a notar a utilização de modelos generativos em cartas de recusa enviadas por editores, identificando padrões de escrita típicos desses sistemas. Além do impacto na comunicação diária, representantes de autores temem que trechos de manuscritos inéditos sejam inseridos em modelos de linguagem que não sejam fechados, expondo textos não publicados aos servidores de empresas de tecnologia. Para mitigar esse risco, cláusulas contratuais que proíbem o processamento de obras por modelos de inteligência artificial vêm sendo adicionadas por agentes.
Em resposta à reportagem, um porta-voz da Hachette afirmou que a empresa apoia o uso de ferramentas de inteligência artificial para fins operacionais, mas não para tarefas criativas ou para a comunicação com autores e parceiros. A Simon & Schuster declarou que o acesso aos sistemas corporativos de IA é opcional, proibindo soluções não aprovadas, com o objetivo de liberar tempo para que as equipes se dediquem ao trabalho criativo. A HarperCollins não respondeu aos pedidos de comentário.
Referências
- Reportagem consultada: Wired — IA
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