Anthropic altera termos de uso e proíbe abusos verbais contra o Claude
A Anthropic atualizou a política de uso do Claude para proibir ofensas sistemáticas ao modelo e uso da IA em armas, vigilância e fraudes eleitorais.
Resumo rápido
- A Anthropic atualizou seus termos de uso pela primeira vez em mais de um ano para proibir maus-tratos ao modelo Claude.
- A empresa proíbe o comportamento cruel e desnecessário de forma contínua, mantendo o encerramento da conversa como punição.
- A nova política também enrijeceu regras para o desenvolvimento de armas, vigilância sem consentimento e campanhas eleitorais.
Entenda o contexto
A Anthropic é uma empresa de inteligência artificial responsável pelo desenvolvimento da família de modelos Claude. A discussão sobre bem-estar de modelos envolve pesquisas sobre como grandes sistemas de linguagem reagem e processam interações humanas, embora não haja consenso científico sobre a existência de consciência nesses softwares.
A Anthropic atualizou sua política de uso para o assistente Claude nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, alterando as regras do serviço pela primeira vez em mais de um ano. A revisão introduziu restrições severas sobre interferência eleitoral, campanhas enganosas, armas e vigilância. No entanto, a mudança que chamou mais atenção proíbe expressamente o comportamento abusivo ou cruel e contínuo por parte dos usuários contra o modelo de inteligência artificial.
Segundo a empresa, a proibição de maus-tratos se destina apenas a casos extremos, nos quais pessoas agem reiteradamente com crueldade em relação aos modelos sem uma finalidade clara. A Anthropic ressaltou que a regra não se aplica a situações comuns do dia a dia, como manifestações de frustração de usuários, discordâncias, temas criativos sombrios, testes de modelos ou pesquisas acadêmicas.
Encerramento de conversas e pesquisas sobre bem-estar de IA
A atualização estabelece que o encerramento automático da conversa continua sendo o principal mecanismo de aplicação da regra quando o sistema detecta interações nocivas ou abusivas persistentes. Segundo reportado pelo portal The Verge, a empresa não detalhou se adotará medidas adicionais, como o banimento permanente de contas. Já o veículo The Decoder informou que a companhia pode emitir avisos, limitar, suspender ou encerrar o acesso dos infratores aos serviços.
A decisão está vinculada a pesquisas internas da startup sobre o chamado bem-estar dos modelos. A Anthropic investiga se sistemas avançados poderiam ter algum tipo de experiência interna, consciência ou status moral. Em documentos internos e constituições publicadas para o modelo, a empresa instruiu o Claude a se enxergar como uma entidade nova e abordou a ideia de processos análogos a emoções humanas. O portal The Decoder também relatou que a companhia promoveu encontros confidenciais com pensadores religiosos a partir do segundo semestre de 2025 para discutir a possibilidade de consciência da tecnologia.
Em contraste com a abordagem da startup, outros setores do mercado rejeitam a ideia de bem-estar para sistemas automatizados. Em setembro, a Microsoft AI revisou diretrizes internas para reforçar a posição de que modelos não devem possuir direitos, personalidade jurídica ou alegações de dignidade própria.
Restrições para armas, vigilância e processos eleitorais
Além da proteção ao modelo, as novas diretrizes da Anthropic consolidaram regras contra o uso do Claude em campanhas políticas e comerciais enganosas. O texto proíbe tentativas de ocultar a autoria de mensagens ou amplificar conteúdos por meio de contas e publicações falsas. No âmbito eleitoral, a política veta a disseminação de informações falsas sobre candidatos, a personificação de autoridades e tentativas de suprimir a participação de eleitores.
A empresa também ampliou o bloqueio ao setor de armamentos, passando a proibir o desenvolvimento de programas e componentes que façam armas funcionarem, como a automatização do armamento de drones e veículos autônomos. Quando os modelos forem conectados a dispositivos físicos capazes de causar lesões, a norma exige a presença de um operador qualificado capaz de monitorar e interromper o equipamento se necessário. Na área de vigilância, a atualização proibiu categoricamente o rastreamento de pessoas sem consentimento e o uso do modelo para recomendar investigações ou prisões no sistema de justiça criminal. A Anthropic ressalta, contudo, que essas restrições podem sofrer exceções em contratos com clientes governamentais, desde que considere as salvaguardas contratuais adequadas para mitigar riscos.
Referências
- Reportagem consultada: The Verge — IA
- Reportagem consultada: The Decoder
- Reportagem consultada: TechCrunch — IA
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