Xiaomi lanca linha de IA MiMo-V2.6 sob acusacao da Anthropic
A Xiaomi lançou o modelo de IA MiMo-V2.6-Pro, mas enfrenta acusações da Anthropic sobre uso indevido de dados do Claude.
Resumo rápido
- Xiaomi lança o modelo aberto MiMo-V2.6-Pro com 1,02 trilhão de parâmetros.
- Avanço no desempenho é atribuído ao uso expandido de aprendizado por reforço.
- Anthropic acusa a Xiaomi de extrair dados do Claude para treinar seus modelos.
Entenda o contexto
O aprendizado por reforço é uma técnica de treinamento em que o modelo aprende a tomar decisões com base em recompensas e penalidades. A destilação de modelos é o processo de usar as respostas de um sistema mais avançado para treinar um sistema menor ou mais novo.
A Xiaomi lançou sua nova linha de inteligência artificial MiMo-V2.6, liderada pelo modelo MiMo-V2.6-Pro. Segundo dados da empresa de análise Artificial Analysis, o modelo obteve 46 pontos no Intelligence Index, o que o coloca na liderança entre os modelos abertos disponíveis publicamente, à frente de concorrentes como Kimi K3 e Qwen.
O MiMo-V2.6-Pro adota uma arquitetura do tipo mixture-of-experts (MoE) — uma estrutura que divide a rede em subredes especializadas para processar requisições com mais eficiência — contendo 1,02 trilhão de parâmetros no total, dos quais 42 bilhões ficam ativos a cada requisição. O custo anunciado de processamento é de US$ 0,435 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,87 por milhão de tokens de saída. A empresa lançou também a versão MiMo-V2.6-Flash, voltada para maior eficiência.
Aprendizado por reforço e abertura de ferramentas
De acordo com a Xiaomi, os ganhos de desempenho ocorreram devido à expansão da etapa de aprendizado por reforço (RL), técnica em que a IA treina por meio de tentativas, feedback e recompensas. A empresa afirmou ter ampliado essa fase em três frentes: maior volume de dados por etapa de treinamento, mais diversidade nos ambientes de tarefas e mais capacidade computacional para avaliar as respostas.
O processo de treinamento durou menos de seis dias e custou cerca de US$ 2,62 milhões para a versão Pro e US$ 0,85 milhão para a Flash, segundo a Xiaomi. No teste de programação DeepSWE, a pontuação do Pro subiu de 58,4 para 72,6, enquanto o Flash foi de 48,8 para 65,7. Juntamente com os modelos, a companhia liberou uma variante chamada Pro-UltraSpeed, relatórios técnicos, a estrutura de treinamento e cerca de 7.000 tarefas de treino com avaliadores automáticos para áreas como desenvolvimento de software, biossegurança, trabalho de escritório e design web.
Acusações de uso indevido de dados da Anthropic
O lançamento da Xiaomi ocorre logo após acusações feitas pela Anthropic. Em um relatório de inteligência contra ameaças publicado cerca de duas semanas antes, a empresa de IA alegou que sete laboratórios chineses, incluindo a Xiaomi, participaram de campanhas de extração indevida de dados do modelo Claude para treinar seus próprios sistemas, prática chamada pela Anthropic de destilação ilegal.
No caso específico citado como GTG-16008, a Anthropic afirmou ter rastreado mais de 400.000 interações entre março e abril de 2026. Segundo o documento, a Xiaomi teria repassado conversas de usuários e sessões de código de seus próprios modelos MiMo para o Claude por meio de ferramentas como OpenClaw e OpenCode, com o objetivo de enriquecer os dados de treinamento das gerações futuras do modelo.
Referências
- Reportagem consultada: The Decoder
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