Startup e AWS anunciam modelo de vídeo IA derivado de neurônios
A The Biological Computing Co. e a AWS revelaram parceria para modelo de vídeo em IA derivado de medições de células nervosas de laboratório.
Resumo rápido
- A startup TBC e a AWS anunciaram um modelo de IA de texto para vídeo baseado em medições de neurônios de laboratório.
- A tecnologia não usa material biológico no processamento final, mas sim um adaptador de software derivado das células.
- A empresa afirma que o modelo pode ser até cinco vezes mais rápido e 80% mais barato em custos de inferência.
Entenda o contexto
A computação biológica pesquisa o uso de materiais biológicos ou de seu comportamento para orientar sistemas computacionais. No caso da TBC, a empresa não utiliza tecidos vivos na execução do software, mas mede as reações elétricas de neurônios em laboratório para criar regras matemáticas aplicadas a modelos de difusão de inteligência artificial.
A startup estadunidense The Biological Computing Co. (TBC) anunciou uma parceria com a Amazon Web Services (AWS) para disponibilizar um modelo de geração de vídeo a partir de texto baseado em medições de células nervosas. Segundo as empresas, o sistema utiliza uma camada de software proprietária derivada de testes com neurônios cultivados em laboratório. A tecnologia começou a ser oferecida em visualização limitada para clientes selecionados da AWS no dia 22 de setembro de 2026.
De acordo com o comunicado da TBC divulgado pelo veículo The Decoder, o modelo foi desenvolvido sobre uma estrutura de código aberto e promete gerar vídeos cinco vezes mais rápido e com um custo de inferência 80% menor que o modelo base. A empresa prevê executar o sistema nos chips AWS Trainium, distribuí-lo via Amazon SageMaker AI e comercializá-lo no AWS Marketplace. A Wired reporta que o acesso inicial está disponível em prévia limitada, com a expectativa da AWS de expandir o recurso para todos os clientes corporativos em breve.
Como a atividade biológica vira um adaptador de software
Apesar do nome da empresa, o produto final não utiliza processamento biológico direto nos servidores dos clientes. O sistema funciona como um software convencional que adiciona menos de 0,1% ao tamanho do modelo base e roda em infraestruturas padrão de inteligência artificial. A etapa biológica ocorre apenas no processo de desenvolvimento no laboratório da startup em São Francisco.
Para criar os módulos de software, chamados de adaptadores, a TBC cultiva células nervosas corticais de ratos e células-tronco humanas em matrizes de microeletrodos desenvolvidas pela empresa suíça 3Brain. Os pesquisadores traduzem dados de imagem em impulsos elétricos enviados à cultura celular e registram a resposta das redes biológicas. Os padrões de como o sinal se espalha e diminui com o tempo são convertidos em dados matemáticos e inseridos em um adaptador de dinâmicas neurais, que é conectado às camadas do modelo de difusão.
Em testes reportados com o modelo de mundo aberto Oasis, o adaptador de cerca de 156 mil parâmetros ajudou a conter a perda de definição de imagem ao longo dos quadros. Um teste externo realizado em julho pela provedora de infraestrutura Bluesky Compute apontou redução de cerca de 4,4 vezes nos custos de inferência e mais que o triplo de vídeo coerente gerado em comparação ao modelo original.
Captação de recursos e incertezas sobre o modelo comercial
A TBC foi fundada em Baltimore por dois neurocirurgiões, Alexander Ksendzovsky e Jon Pomeraniec. Conforme revelado pela Wired, a empresa levantou US$ 25 milhões no início do ano em uma rodada liderada pela Primary Venture Partners e obteve mais US$ 25 milhões logo em seguida, totalizando mais de US$ 50 milhões em captação.
Apesar das promessas de desempenho, detalhes específicos sobre o produto comercial que será vendido na AWS ainda não foram divulgados. A TBC não informou publicamente qual é o modelo base de código aberto utilizado na versão comercial, a resolução suportada, a duração dos vídeos ou o hardware e métricas exatas usados para embasar as afirmações de redução de custo de 80% e ganho de velocidade.
Referências
- Reportagem consultada: The Decoder
- Reportagem consultada: Wired — IA
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