Pentágono pede US$ 30,3 milhões para criar detector de mentiras com IA
Projeto Polygraph+ busca usar inteligência artificial e sensores sem contato físico para modernizar testes de detecção de mentiras no governo dos EUA.
Resumo rápido
- O Pentágono solicitou US$ 30,3 milhões para desenvolver o programa Polygraph+, focado em IA para detectar mentiras.
- A tecnologia prevê sensores sem contato para medir sinais fisiológicos sem prender aparelhos ao corpo do indivíduo.
- Especialistas em direito e tecnologia questionam a eficácia da IA em um método historicamente contestado.
Entenda o contexto
O polígrafo tradicional é um aparelho de medição fisiológica usado há décadas em triagens governamentais nos EUA, mas seus resultados são amplamente contestados por cientistas e raramente aceitos como prova em tribunais. A aplicação de inteligência artificial busca automatizar a análise desses sinais corporais, embora especialistas questionem a capacidade da tecnologia em identificar mentiras de forma precisa.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos solicitou US$ 30,3 milhões em sua proposta orçamentária para os próximos cinco anos com o objetivo de desenvolver uma nova versão de detector de mentiras baseada em inteligência artificial. Nomeado como Polygraph+ ou Polygraph Next, o programa busca modernizar as tecnologias de avaliação de credibilidade do governo federal por meio do uso de aprendizado de máquina e de técnicas de medição à distância.
Segundo os documentos do orçamento, divulgados inicialmente pelo veículo Inside Defense, a iniciativa foca no desenvolvimento de algoritmos de pontuação e no uso de sensores capazes de capturar respostas fisiológicas das pessoas sem a necessidade de fixar equipamentos ao corpo. A condução do projeto ficará a cargo da Agência de Contrainteligência e Segurança da Defesa (DCSA, na sigla em inglês), órgão encarregado de checagens de antecedentes e investigações de segurança do governo norte-americano.
Aplicações pretendidas e protótipos em testes
A DCSA planeja aplicar o novo sistema no processo de triagem de candidatos a vagas de emprego e na detecção de ameaças internas. Embora o documento orçamentário ainda dependa da aprovação do Congresso dos Estados Unidos e não especifique quais tecnologias exatas integrarão o Polygraph+, iniciativas anteriores do Pentágono indicam possíveis caminhos. Em 2023, a Unidade de Inovação de Defesa (DIU) selecionou duas empresas para a construção de protótipos voltados à detecção de enganos.
Entre as contratadas, a Presage Technologies alega conseguir medir frequência cardíaca e respiração utilizando câmeras comuns. Já a Altec Research desenvolveu um dispositivo que monitora movimentos da cabeça, temperatura da pele facial e atividade dos poros. O pedido de verbas para o novo polígrafo ocorre em um período de forte utilização desse tipo de teste pelo Pentágono, sob a gestão do secretário de Defesa Pete Hegseth, em tentativas de identificar fontes de vazamentos de informações confidenciais para a imprensa.
Ressalvas de especialistas e limitações históricas
Apesar do investimento proposto, a eficácia de detectores de mentiras é amplamente questionada pela comunidade científica. Diferentemente dos aparelhos tradicionais criados na década de 1920 — que medem pressão arterial, pulso, respiração e suor —, a promessa da IA é identificar padrões complexos combinando múltiplos fatores, como estresse fisiológico, carga cognitiva e tentativas conscientes de ocultação. No entanto, acadêmicos alertam que a tecnologia não soluciona as falhas estruturais desse tipo de avaliação.
Especialistas destacam que não existe um sinal fisiológico único e universal que comprove que uma pessoa está mentindo. Para Kyri Kotsoglou, professor da Northumbria Law School, a união de inteligência artificial com polígrafos combina incerteza com falta de validade científica. Além disso, pesquisadores apontam que os modelos de IA dependem do histórico de dados de testes passados, cuja precisão nunca pôde ser confirmada de forma absoluta na prática.
Referências
- Reportagem consultada: MIT Technology Review — IA
Links para conferência: não indicam endosso das fontes ao conteúdo do portal.
Gostou? Compartilhe:
Comentários 0
Ninguém comentou ainda. Seja o primeiro!


