Macmillan encerra assistente de IA NOA após relatos de falhas
Funcionários relatam falhas no assistente NOA da Macmillan, descontinuado pela Chaptr em 2025, enquanto a editora nega ordens para usar o Google Gemini.
Resumo rápido
- Funcionários da editora Macmillan relataram que o assistente de IA interno NOA era ineficiente e pouco utilizado antes de seu encerramento em outubro de 2025.
- A vice-presidente de comunicações da editora afirmou que não há diretriz da liderança para usar o Google Gemini em etapas do processo editorial.
- Escritores e colaboradores apontam insegurança e perda de confiança em meio ao avanço de ferramentas digitais no setor editorial.
Entenda o contexto
A adoção de modelos de linguagem no setor editorial envolve debates sobre privacidade de dados proprietários, precisão textual e os limites de automação na avaliação de obras. O caso da Macmillan exemplifica os desafios de implementação e a resistência de profissionais quanto à confiabilidade dessas ferramentas no fluxo de trabalho.
Como funcionava o assistente interno NOA?
Lançado em janeiro de 2024 na sede da Macmillan Publishers, o NOA (acrônimo para No Ordinary Assistant) foi apresentado aos funcionários como um chatbot desenvolvido pela empresa alemã Chaptr, apoiada pela Holtzbrinck — controladora da Macmillan. Em comunicado por e-mail, a empresa garantiu aos colaboradores que o sistema oferecia um ambiente seguro para inserção de dados proprietários sem o risco de compartilhamento com terceiros.
Durante as sessões de treinamento, os trabalhadores foram avisados de que a ferramenta poderia apresentar alucinações — momento em que um sistema de inteligência artificial gera informações falsas ou incorretas como se fossem verdadeiras — e que necessitaria de verificação humana constante. Apesar das orientações para uso na elaboração de e-mails, pesquisas de marketing e rascunhos, funcionários relataram à reportagem da Wired que o recurso era pouco confiável e acabou quase sem uso.
Qual foi o destino do NOA e a posição da empresa sobre o Google Gemini?
Em outubro de 2025, um comunicado interno informou que a Chaptr encerraria o NOA. Segundo relatos de funcionários, a liderança passou a buscar a integração do Google Gemini aos processos de trabalho, com alguns editores experimentando o sistema para avaliar cartas de submissão de agentes literários.
Em resposta aos questionamentos, Kelly Collins, vice-presidente de comunicações e comunidade da Macmillan, afirmou que a editora usa o Google Gemini para seus negócios gerais, mas ressaltou que não há nenhuma diretriz da liderança orientando o uso do modelo em etapas do processo editorial ou na avaliação de correspondências de agentes. Collins declarou ainda que as informações compartilhadas por trabalhadores não refletem com precisão como o NOA foi implementado, reiterando que a companhia adota uma abordagem focada no aprendizado e no protagonismo humano.
Quais os impactos relatados por autores e equipes editoriais?
A introdução de sistemas automatizados no setor tem gerado atritos com escritores. Autores com grande volume de vendas relataram que o uso de ferramentas de IA afetou a confiança com as editoras. Foram registrados episódios em que materiais promocionais continham citações inventadas por alucinações de softwares, além de divergências em negociações contratuais sobre o uso de tecnologias digitais nas obras.
Referências
- Reportagem consultada: Wired — IA
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