IA da Apate usa bots para enganar e atrasar golpistas telefônicos
A empresa australiana Apate usa bots de IA para atender chamadas de golpistas, enquanto pesquisas da ETH Zurich indicam avanços com honeypots e LLMs.
Resumo rápido
- A Apate opera cerca de 350 mil bots de IA para atender chamadas e responder a mensagens de golpistas.
- Segundo a empresa, as chamadas duram rotineiramente mais de duas horas para coletar dados sobre fraudes.
- Estudo da ETH Zurich indica que honeypots com LLMs mantêm agentes atacantes engajados por mais tempo.
Entenda o contexto
Bots de IA são sistemas automatizados programados para simular interações humanas. Honeypots são ambientes virtuais falsos projetados para atrair invasores e estudar suas técnicas de ataque. O uso de IA nessas ferramentas visa desperdiçar os recursos de criminosos digitais e extrair dados de inteligência sobre suas operações.
A empresa australiana Apate está utilizando inteligência artificial para combater fraudes telefônicas e digitais. Fundada por Dali Kaafar, a companhia desenvolveu um sistema que redireciona chamadas de golpistas para bots de IA programados para manter as conversas pelo maior tempo possível, evitando cair nas abordagens fraudulentas.
Segundo Kaafar, a plataforma da Apate é utilizada por bancos e conta com o suporte de empresas de telecomunicações. O sistema possui cerca de 350.000 bots que não apenas atendem ligações, mas também interagem em grupos de chat de golpes e respondem a mensagens de texto. A empresa afirma já ter coletado mais de 250.000 informações sobre fraudadores em tempo real, incluindo links maliciosos, dados bancários e contas utilizadas como intermediárias.
Dinâmica das conversas e testes do sistema
Os bots da Apate são configurados com diferentes personalidades, habilidades de linguagem e perfis para evitar que os criminosos percebam a presença de uma IA. De acordo com Kaafar, as chamadas atendidas pela plataforma duram regularmente mais de duas horas, mantendo os golpistas ocupados e coletando dados sobre as operações.
Repórteres do veículo Wired testaram uma versão de demonstração do sistema, atuando no papel de golpistas que tentavam convencer uma persona de IA a investir em criptomoedas. Durante a experiência de seis minutos, os jornalistas relataram que a IA demonstrou ceticismo e respostas naturais, impedindo o sucesso da abordagem.
Uso de modelos de linguagem em honeypots
Além das ferramentas voltadas para chamadas telefônicas, o uso de modelos de linguagem (LLMs) vem sendo aplicado na criação de armadilhas virtuais conhecidas como honeypots. Pesquisadores de engenharia e ciência da computação da ETH Zurich, como Mark Vero, identificaram que provedores de honeypots de código aberto estão integrando LLMs para tornar os ambientes falsos mais realistas.
Em um estudo recente, Vero e seus colegas constataram que honeypots alimentados por LLMs conseguem manter agentes de IA atacantes engajados por significativamente mais tempo do que sistemas com comportamentos previsíveis. Segundo os pesquisadores, os atacantes automatizados demoram mais para identificar que estão interagindo com uma armadilha, o que representa uma vantagem tática para os sistemas de defesa cibernética.
Referências
- Reportagem consultada: Wired — IA
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